A recente derrota do Brasil para a Noruega vai além do futebol, revelando uma disparidade preocupante em termos de bem-estar e qualidade de vida entre os dois países. A análise dos dados mostra que o país nórdico não apenas venceu em campo, mas também leva vantagem em questões fundamentais como a gestão das contas públicas e a distribuição de riqueza.
A Noruega, localizada no extremo Norte do planeta, é conhecida por seu clima gelado e recursos naturais, especialmente petróleo e gás natural. Embora o Brasil também possua riquezas significativas, a forma como cada país lida com esses recursos é bastante distinta.
Enquanto no Brasil a exploração dos recursos naturais frequentemente resulta em escândalos de corrupção, como o Petrolão, na Noruega, o lucro gerado pela indústria do petróleo é investido em um Fundo Governamental de Pensões. Este fundo, criado em 1996, é atualmente responsável por 1,5% de todas as ações listadas mundialmente e possui um portfólio diversificado que inclui mais de 10 mil ativos em 68 países, avaliados em mais de R$ 11 trilhões.
“Embora a receita da produção de petróleo e gás seja transferida para o fundo, esses depósitos representam menos da metade do seu valor”, indica o site do fundo norueguês.
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O rendimento anual do fundo é estimado em 3%, o que representa cerca de R$ 330 bilhões, ou aproximadamente R$ 55 mil por habitante. Essa abordagem garante que, em vez de depender exclusivamente do fundo para as contas públicas, a Noruega utilize esses recursos com cautela, reservando-os para momentos de crise e para garantir a sustentabilidade econômica para as futuras gerações.
Historicamente, a riqueza média da população norueguesa já superava a brasileira desde 1966, com um PIB per capita seis vezes maior. Atualmente, essa diferença aumentou em 20%, sem contar os investimentos do fundo. Hoje, cada norueguês tem uma renda estimada em US$ 77 mil, enquanto o brasileiro possui apenas US$ 11 mil.
Os dados do Banco Mundial também revelam que a pobreza na Noruega é praticamente inexistente, com apenas 0,3% da população vivendo em condições de vulnerabilidade. Em contraste, cerca de 25% dos brasileiros dependem do Bolsa Família, totalizando cerca de 50 milhões de pessoas. Essa diferença acentuada coloca em evidência os desafios que o Brasil enfrentará no futuro, especialmente em relação à previdência social, enquanto os noruegueses continuam a poupar e investir em seu futuro.
A reflexão que fica é sobre o placar do jogo, que, embora tenha sido desfavorável para o Brasil, é apenas um reflexo de uma realidade muito mais ampla e preocupante.
