A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou nesta segunda-feira, 6, da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O encontro teve como foco a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, e a CNA integrou a lista de organizações autorizadas a apresentar seus argumentos durante a sessão.
A diretora-adjunta de Relações Internacionais da CNA, Fernanda Maciel, destacou que a entidade apresentou quatro pontos principais em sua defesa. Ela afirmou que a competitividade do agronegócio brasileiro é resultado da alta produtividade, que não está relacionada ao desmatamento ilegal. Além disso, a CNA enfatizou que o mercado brasileiro continua aberto ao etanol proveniente dos EUA.
“A tarifa pode elevar custos e reduzir a competitividade de empresas e consumidores americanos”, alertou Fernanda.
A CNA argumentou que os acordos comerciais firmados com o México e a Índia não prejudicam os exportadores norte-americanos. A entidade também mencionou que a investigação realizada não comprovou danos ao comércio entre Brasil e EUA, o que reforça sua posição contrária à aplicação da tarifa.
O evento contou com a presença de representantes de diversos setores, incluindo arroz, café, mel, pecuária e etanol. Além disso, autoridades da indústria e do governo brasileiro acompanharam a audiência, em um esforço diplomático para tentar reverter ou amenizar a medida antes da decisão final. O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também compareceu à sessão, que ocorrerá nesta terça-feira, 7.
A proposta de tarifa faz parte da investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que busca avaliar práticas comerciais consideradas desleais e pode levar a sanções. O USTR ainda está analisando os argumentos apresentados pelas entidades e empresas que participaram da audiência, o que pode influenciar a decisão final sobre a implementação da tarifa.
