O cooperativismo se destaca como um dos pilares fundamentais do agronegócio brasileiro. Com uma produtividade superior à média de todos os setores onde atua, ele reúne aproximadamente 20% dos produtores rurais do país. Essa eficiência é atribuída, em grande parte, ao compartilhamento de tecnologia, assistência técnica, infraestrutura e poder de mercado, além da capacidade de iniciativa dos cooperados. Trata-se de uma forma coletiva e privada de organizar a produção e a prestação de serviços, reconhecida como uma das mais eficientes dentro do sistema capitalista.
No dia 02 de julho de 2026, celebra-se o Dia Internacional das Cooperativas, também conhecido como Coops Day. Esta data foi estabelecida pela Aliança Cooperativa Internacional em 1923 e, em 1995, recebeu reconhecimento oficial da ONU. O tema deste ano é ‘Cooperativas por um Mundo Pacífico’, refletindo a habilidade única do modelo cooperativo em unir pessoas, fortalecer a coesão social e promover sociedades pacíficas e inclusivas. É um apelo do movimento cooperativo global em prol da paz.
A primeira cooperativa moderna surgiu em Rochdale, na Inglaterra, em 1844, como resposta às dificuldades enfrentadas durante a Revolução Industrial. Um grupo de 28 tecelões, que lidava com condições precárias, uniu-se para criar seu próprio armazém, estabelecendo os Princípios de Rochdale, que ainda são fundamentos do cooperativismo mundial.
No Brasil, as primeiras experiências cooperativistas datam do século 19, associadas à imigração europeia, especialmente no Sul do país. A Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, em Minas Gerais, fundada em 1889, marca o início oficial do movimento cooperativista no Brasil, focando no consumo de produtos agrícolas.
Com o passar dos anos, o cooperativismo de crédito também se desenvolveu no Brasil, iniciando-se com a fundação da primeira cooperativa de crédito em 1902, em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul. Hoje, o cooperativismo brasileiro conta com cerca de 4,4 mil cooperativas, envolvendo 26 milhões de cooperados e movimentando R$ 758 bilhões por ano. Este sistema gera 578 mil empregos diretos e, no setor agropecuário, cerca de 1,2 mil cooperativas representam 53% da produção nacional de grãos e fibras.
As cooperativas agropecuárias têm um papel crucial na economia, gerando R$ 438 bilhões anualmente, e atuando em toda a cadeia produtiva, desde a aquisição de insumos até a exportação. Apesar do crescimento e da importância econômica, o cooperativismo enfrenta desafios, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde sua presença ainda é limitada.
Como resposta aos desafios econômicos, o cooperativismo precisa equilibrar seus princípios democráticos com as exigências de um mercado globalizado. O cenário atual apresenta tensões, como a pressão por preços e os altos custos de produção, exigindo investimentos significativos em infraestrutura e inovação.
Além dos desafios econômicos, investigações recentes revelaram problemas de infiltração em cooperativas, envolvendo questões de corrupção e lavagem de dinheiro. Essas situações exigem uma atenção especial e a adoção de mecanismos de proteção institucional, para garantir a integridade do cooperativismo e sua contribuição para a sociedade.
