Ao visitar Jair Bolsonaro, o presidente do PL resumiu: 'Não gostei'. A carta em que Flávio se intitula 'verdadeiro presidente eleito' e 'líder do Brasil' provocou incômodo entre aliados.
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência. Ao chegar ao condomínio do ex-presidente, Valdemar resumiu sua reação com uma frase curta e direta.
“Não gostei”
A mensagem divulgada por Flávio tinha trechos em que ele se autointitulava de formas que provocaram reação entre aliados e dirigentes do próprio PL. Em versões distintas da mesma carta, o senador usou expressões como
“o verdadeiro presidente eleito do Brasil”
e, em outra versão,
“líder do Brasil”
O encontro entre Valdemar e o ex-presidente foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a petição apresentada pelos advogados do ex-presidente, a reunião seria necessária para um “diálogo direto” com o capitão da reserva.
O episódio ocorre em um momento de turbulência dentro do partido, após a eleição que terminou no domingo (25). No segundo turno, o presidente eleito recebeu 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio obteve 59,8 milhões, ou 48,21%.
Dois dias depois do segundo turno, Flávio deixou o país e desembarcou nos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28). Ele chegou a Miami, na Flórida, acompanhado pela esposa e pelas duas filhas, após uma escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador.
Informações da Direção Nacional de Migrações da Argentina detalharam o trajeto: o senador e a família teriam atravessado a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27). Segundo o órgão, os quatro apresentaram documentos válidos e não enfrentaram impedimentos legais para entrar no país. Depois da travessia, seguiram para o Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú e embarcaram em uma aeronave particular.
As cartas divulgadas por Flávio foram dirigidas ao “povo brasileiro e à comunidade internacional” e sofreram variações em pouco tempo — em uma versão ele se intitula “presidente eleito”; em outra, opta por se apresentar como “líder”.
Repercutiu também a reação de aliados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou, em nota, sobre a postura após a derrota e pediu respeito ao resultado das urnas. Em trecho da nota, ele disse:
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”
O governador acrescentou que será necessário “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte” para atuar nas instituições e reforçar os freios e contrapesos da democracia. Em vídeo anterior, ele já havia reconhecido o resultado e afirmou:
“o Brasil continua”
Fontes do PL disseram que não estavam cientes da carta e que o partido não teve relação com a divulgação das mensagens assinadas pelo senador.
