A escolha do ex-governador de São Paulo e ex-ministro Márcio França (PSB) para ser o candidato a vice na chapa liderada por Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes foi uma decisão que partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa escolha, anunciada na semana passada, foi apresentada como uma tentativa de unir as esquerdas contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Conforme informações apuradas, Lula assumiu o comando das negociações com o PSB, um aliado histórico do PT, em meio a dificuldades enfrentadas por Haddad para formar sua chapa para as eleições de outubro deste ano. França, que almejava candidatar-se ao Senado ou ao governo do Estado, acabou sendo voto vencido.
“A decisão de Lula foi em sentido contrário ao que eu desejava”, afirmou França em entrevista.
No dia 24 de junho, Lula se reuniu com Haddad e França no Palácio do Planalto, em Brasília, para discutir a composição da chapa. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também participou do encontro, reforçando a aliança entre os dois partidos. Naquela ocasião, França ainda hesitava em aceitar a indicação para a vice de Haddad, já que havia se posicionado como pré-candidato ao Senado e estava em busca de apoio por todo o Estado.
As negociações se tornaram complicadas após Lula convencer Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e Orçamento, a se candidatar ao Senado pelo PSB. Com isso, a vaga restante foi disputada entre França e a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que contava com apoio do Psol.
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França expressou a necessidade de mais uma candidatura ao governo de São Paulo, principalmente após desistências de outros candidatos. Ele argumentou que, com apenas dois nomes na disputa – Tarcísio e Haddad – haveria risco de a eleição ser decidida no primeiro turno em favor do atual governador.
Essa não é a primeira vez que França se vê em uma situação semelhante. Em 2022, ele já havia aberto mão de sua candidatura ao governo em prol do apoio a Haddad, que acabou por disputar o Senado, mas não foi eleito.
Outro ponto de divergência entre França e Lula foi a escolha do vice. França defendia que a chapa de Haddad contasse com uma mulher, argumentando que isso fortaleceria a diversidade e o apelo ao eleitorado feminino. Em resposta, Haddad afirmou que a chapa já era paritária, embora França tenha reconhecido a validade de uma vice mulher.
“Para mim, é muito importante a presença feminina”, afirmou Haddad durante o anúncio de França como vice.
Por fim, a indicação de França como vice foi parte de uma estratégia política mais ampla, que visava fortalecer a posição do PSB em Pernambuco, onde o partido busca apoio para a candidatura do ex-prefeito do Recife, João Campos, ao governo do Estado. Essa movimentação política evidencia a complexidade das alianças e as negociações que permeiam o cenário eleitoral em curso.

