Documentos enviados ao STF apontam que o banqueiro contratou site de esquerda para blindar imagem do Master. Revelação veio à tona após prisão de Vorcaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por conta de um escândalo envolvendo o Banco Master, é acusado pela Polícia Federal (PF) de ter efetuado pagamentos ao site “Diário do Centro do Mundo (DCM)”. O objetivo seria interromper as críticas ao banco e promover uma “limpeza de imagem” para o banqueiro. Essas informações foram reveladas em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgados pelo ministro André Mendonça.
Conforme os investigadores, o site, que é identificado como de esquerda, teria recebido R$ 50 mil mensais com a condição de não publicar notícias negativas sobre o Banco Master. A PF afirma que o DCM foi “cooptado por determinação expressa de Vorcaro”. A estratégia incluía não apenas a contenção de críticas, mas também a veiculação de informações favoráveis ao banqueiro e ataques a seus adversários.
Em mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Phillip Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como membro da suposta milícia privada do banqueiro, a irritação de Vorcaro com as publicações negativas ficou evidente. Em conversas de setembro de 2024, ele menciona a necessidade de “comprar os caras” para “derrubar o blog” que havia publicado matérias sobre processos envolvendo o banco.
“Tem que derrubar urgente. Derrubar de vez esse blog. Achei que tínhamos parceria. E tínhamos comprado os caras”, disse Vorcaro nas mensagens.
A PF considera que essas conversas indicam uma tentativa de influenciar a linha editorial do DCM através de compensações financeiras, comprometendo a independência da imprensa. Em outro diálogo, Vorcaro sugere a contratação do site para atacar seus inimigos após críticas relacionadas ao Banco Master.
Após as queixas do banqueiro, Sicário questiona sobre a parceria com o DCM, e Vorcaro confirma a proposta de R$ 50 mil mensais. Mais tarde, em setembro de 2025, voltou a ser mencionado um pedido de Sicário, que solicitou a Vorcaro que providenciasse pagamentos para manter a relação com o site.
“Olha com o Fabiano para mim, o cara do DCM já inclusive me cobrou (ele é um nojo). Para manter o da turma dos meninos e dos redatores lá. Me ajuda com isso”, disse Mourão.
Quando a suspeita de pagamentos ao DCM surgiu publicamente, o site negou receber recursos ou benefícios relacionados aos investigados na operação. Em nota, o DCM afirmou que seu nome completo não foi citado na Operação Compliance Zero, e que não há documentos que comprovem a relação com os pagamentos alegados.
A defesa do DCM ressaltou que não existem menções diretas ao veículo ou a seus colaboradores nas investigações, e que as conversas divulgadas são privadas, sem contexto claro. O advogado do site também argumentou que a associação entre o DCM e Vorcaro poderia ser considerada difamatória, uma vez que o site frequentemente publicou matérias contrárias ao Banco Master.
