O ministro André Mendonça autorizou buscas contra o senador Jaques Wagner após a PF revelar que um ex-sócio do Banco Master pagou R$ 63,3 mil por camarote nos EUA usado pelo parlamentar e familiares.
O ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, pagou R$ 63,3 mil por um camarote em um show na Califórnia, nos Estados Unidos. Esse espaço foi utilizado pelo líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), e seus familiares durante o evento.
De acordo com informações da Polícia Federal (PF), em junho de 2023, o parlamentar e quatro parentes receberam ingressos para o camarote do evento. A menção a este episódio aparece em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas e apreensões contra Wagner nesta quinta-feira, 18.
Mensagens trocadas entre Augusto Lima e Jaques Wagner indicam que o senador solicitou ingressos para cinco pessoas. Lima respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”, conforme documento do ministro André Mendonça.
Conforme a PF, o pagamento dos ingressos foi realizado pela Reag Investimentos S.A., uma empresa vinculada a um esquema que está sendo investigado no Banco Master. João Carlos Mansur, que também é mencionado nas conversas, é outro nome que aparece nas investigações relacionadas à compra dos bilhetes.
Nesta quinta-feira, 18, Jaques Wagner e Augusto Lima foram alvos da nona fase da Operação Compliance Zero. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além de impor restrições de contato entre os investigados e a suspensão de passaportes. Entre os crimes que estão sendo analisados, estão corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A defesa de Augusto Lima classificou a operação como “desnecessária” e destacou que ele “está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”. Em nota, a defesa afirmou que “as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

