Hackers destruíram 200 terabytes e mais de 300 mil documentos da Saúde de MT. Apesar da negativa oficial, arquivos sequestrados provam o estrago real do ataque cibernético.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) divulgou uma nota no dia 2 de junho, afirmando que o recente ataque cibernético em sua infraestrutura não comprometeu a base de dados da instituição. Segundo a pasta, o incidente não prejudicou a continuidade dos serviços prestados à população.
No entanto, investigações revelaram que os dados oficiais podem não refletir a realidade do ocorrido. O portal PNB Online teve acesso aos arquivos sequestrados e constatou que a invasão resultou na destruição de aproximadamente 200 terabytes de dados, afetando mais de 300 mil documentos da administração pública.
A análise jornalística destacou falhas administrativas que facilitaram a entrada dos criminosos na rede da SES-MT. Em 2024, a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI) enviou um e-mail solicitando autorização para avançar com o backup da pasta da Saúde, mas a coordenação de TI da secretaria demorou mais de dois anos para responder, consentindo com a medida apenas em 13 de fevereiro deste ano.
Fachada da Secretaria de Saúde de Mato Grosso | Foto: Divulgação/Secom-MT
Além disso, dos 40 links de comunicação da secretaria, 13 estavam sob contrato com a Oi e gerenciados pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, mas estavam totalmente sem suporte técnico e sem licença ativa. O ataque ocorreu em um momento em que os sistemas de defesa da rede estadual estavam desprotegidos, devido à suspensão de uma licitação da MTI que visava a proteção.
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A superintendência de TI da SES-MT emitiu um comunicado interno no dia 13 de fevereiro, alertando os servidores de que as pastas compartilhadas ficariam visíveis apenas para consulta, uma medida típica de redes comprometidas por ransomware.
A gangue LockBit foi a responsável pelo ataque, utilizando um software de resgate para bloquear os sistemas da secretaria. Os criminosos exigiram um pagamento de US$ 500 mil em bitcoins para a liberação dos dados. Mesmo sem o pagamento, os invasores publicaram informações sobre a estrutura e os títulos dos arquivos na deep web, ironizando a vulnerabilidade do Estado.
A mensagem da gangue foi clara: “Trate esta situação como um treinamento pago para seus administradores de sistema, pois foi a configuração incorreta da sua rede corporativa que nos permitiu atacá-lo”.
Os arquivos expostos incluíam relatórios, auditorias e planilhas que alimentam a CPI da Saúde, além de registros de empresas investigadas na Operação Espelho, como LGI Médicos e Bone Medicina Especializada, e dados do Hospital Regional de Cáceres, alvo da Operação Panaceia contra fraudes na pandemia.
A SES-MT não apresentou comprovantes de recuperação total das informações perdidas, mas justificou suas ações em tópicos. A secretaria alegou que concentrou esforços na contenção da ameaça e na preservação de provas antes de se manifestar publicamente. O caso, inicialmente tratado como “incidente de dados”, foi reclassificado como “incidente de segurança da informação” após análises técnicas. A pasta informou que a investigação está sendo conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos, que mantém o inquérito em sigilo.
A instituição garantiu que os arquivos originais foram resgatados por rotinas de contingência e que não foram identificados elementos que apontem responsabilidade direta do ex-secretário Gilberto Figueiredo ou do atual chefe da pasta, Juliano Melo, pelo incidente.

