Polícia Civil paulista deflagrou operação contra o Instituto Conhecer Brasil nesta segunda (1º). A entidade repassou verba pública a empresa de seu próprio dirigente, em esquema ligado a convênio de wi-fi em comunidades.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1º), após ser constatado que a entidade repassou R$ 1,3 milhão a uma empresa cujo sócio era um dos dirigentes do próprio instituto.
Em dezembro de 2024, a ONG realizou dois pagamentos à Complexsys. Naquele período, um dos sócios da empresa, Eduardo Franco, também ocupava um cargo de direção no ICB. Esses repasses estavam relacionados a um convênio firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo, que visava a instalação de 5.000 pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista.
A Prefeitura de São Paulo, o Instituto Conhecer Brasil e Eduardo Franco foram contatados, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O ICB não prestou contas para o segundo período do convênio, que vai de julho de 2025 até julho de 2026.
A assinatura do convênio com a Prefeitura ocorreu em junho de 2024, antes de Franco assumir a direção da ONG. Para implementar a instalação dos pontos de internet, a ONG subcontratou empresas especializadas, incluindo a Complexsys, com a qual firmou contrato em agosto de 2024.
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O contrato estabelecia que os serviços da Complexsys incluíam “verificação, análise e validação” dos pontos de acesso à internet, além de suporte e manutenção técnica. A empresa foi representada no acordo por outro sócio, André Feldman.
Três meses após a assinatura do contrato, em novembro de 2024, Eduardo Franco tornou-se dirigente do ICB. Os primeiros pagamentos realizados pela ONG à Complexsys ocorreram em dezembro de 2024, quando Franco era simultaneamente sócio da empresa e dirigente do ICB, totalizando R$ 1,3 milhão em repasses.
Eduardo Franco esteve à frente da Complexsys desde sua fundação, em agosto de 2019, e deixou a sociedade em 27 de março de 2025. No mesmo dia, o ICB fez um pagamento à Complexsys no valor de R$ 444,4 mil, e os repasses da ONG à empresa somaram R$ 4,1 milhões de dezembro de 2024 a julho de 2025.
O Instituto Conhecer Brasil é presidido por Karina da Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Tanto a ONG quanto a Complexsys estão sob investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de desvios de verba pública para financiar o filme.
O inquérito revelou irregularidades nas notas fiscais emitidas pela Complexsys, que totalizavam R$ 2 milhões e foram canceladas no mesmo dia de sua emissão. Apesar do cancelamento, essas notas foram utilizadas pelo ICB para justificar despesas na prestação de contas apresentada à Prefeitura.
Além disso, a contratação da Complexsys não foi a única a beneficiar dirigentes das organizações de Karina da Gama. Recentemente, o ICB contratou Marcelo Machado, um produtor de eventos, por R$ 50 mil para serviços de “divulgação” de um projeto social, sendo que ele também é dirigente de outra ONG presidida por Karina, a Academia Nacional de Cultura, a qual, assim como o ICB, está sendo investigada pelo STF por possíveis irregularidades no uso de verbas públicas.
