Paralisação nacional tomou Portugal nesta quarta (3) e derrubou metrôs, fechou escolas e suspendeu voos diretos do Brasil. Sindicatos protestam contra reforma trabalhista do governo Montenegro.
A principal central sindical de Portugal paralisou os serviços públicos e a indústria de todo o país nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026. O protesto, de âmbito nacional, busca barrar um pacote de reformas nas leis trabalhistas que está em debate no Parlamento, com votação programada para setembro. A mobilização causou a interrupção do funcionamento do metrô em Lisboa e no Porto, o fechamento de escolas e o cancelamento de voos diretos de ligação com o Brasil.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, está tentando aprovar o projeto denominado “Trabalho XXI”. As novas regras provocaram a insatisfação das entidades de classe por facilitarem a contratação de trabalhadores terceirizados temporários sem vínculo empregatício estável. Os sindicatos estimam que o prejuízo financeiro provocado pela paralisação pode atingir a cifra de € 400 milhões de euros.
Os brasileiros que vivem em Portugal enfrentam impactos diretos devido à flexibilização das regras de demissão e contratação. A nova lei aumenta o limite dos contratos temporários de dois para três anos, o que gera instabilidade na renovação dos vistos de residência e atrasa os processos de pedidos de nacionalidade portuguesa. Atualmente, mais de 400 mil brasileiros possuem emprego formal no país europeu, representando a maior colônia estrangeira de contribuintes da Previdência local.
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Os hospitais e centros de atendimento médico mantêm o funcionamento limitado a casos de urgência máxima, como tratamentos de câncer e cirurgias emergenciais. Sindicatos de médicos e enfermeiros também aderiram ao movimento, resultando no cancelamento de consultas de rotina. Na educação, as federações de professores trancaram as portas das escolas públicas do ensino infantil até o nível universitário na última semana antes das férias de verão.
A central sindical CGTP acusa o primeiro-ministro de favorecer os empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores. Os funcionários de uma das maiores montadoras de automóveis do país também decidiram cruzar os braços como parte do movimento de protesto. O texto do governo reintroduz o banco de horas individual e altera o teto dos contratos por prazo determinado, mesmo com uma taxa de desemprego relativamente baixa, de 5,7%.
Em resposta às críticas, o primeiro-ministro defende que as alterações visam aumentar a produtividade e impulsionar a economia a longo prazo, permitindo assim reajustes salariais. O Executivo enviou o texto para a Assembleia da República no mês passado de forma unilateral, após nove meses de reuniões com os trabalhadores sem alcançar um consenso. Esta é a segunda greve de grande porte deflagrada contra o pacote trabalhista.
