Mercados brasileiros reagiram bem nesta terça (2), ignorando pressão americana. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil a partir de julho.
A bolsa brasileira fechou em alta e o dólar recuou nesta terça-feira (2), mesmo diante do aumento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. O Ibovespa avançou 1,16%, alcançando os 174.197 pontos, enquanto a moeda americana caiu 0,24%, encerrando o dia cotada a R$ 5,009.
Esse desempenho positivo dos ativos brasileiros ocorreu apesar da proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. Essa medida faz parte de uma investigação sobre práticas comerciais que os americanos consideram desleais.
A situação política também está no radar dos investidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que as negociações com Washington sejam conduzidas pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O governo brasileiro classificou como injusta a proposta americana de elevar tarifas sobre produtos nacionais.
Apesar das ameaças do governo de Donald Trump, o mercado focou em um ambiente externo que se mostrou mais favorável ao risco, deixando as preocupações comerciais em segundo plano. Após cinco sessões consecutivas de queda, o Ibovespa voltou a subir, impulsionado principalmente por ações de bancos e mineradoras.
No acumulado da semana, a bolsa registra um ganho de 0,24%. Em 2026, a valorização chega a 8,11%.
No mercado de câmbio, o dólar comercial acompanhou o movimento global de enfraquecimento da moeda frente a divisas de países emergentes. A cotação oscilou entre R$ 5,0003 e R$ 5,0245 durante o dia, mas encerrou próxima da estabilidade, pouco acima do nível de R$ 5. No acumulado de 2026, a moeda estadunidense registra queda superior a 8% em relação ao real, impulsionada pelo fluxo de recursos para a bolsa e pelos juros altos do país em comparação a outras economias.
Além disso, as negociações entre Estados Unidos e Irã também influenciaram os mercados globais, com investidores atentos a possíveis avanços para uma solução diplomática no Oriente Médio.
Em relação ao petróleo, os preços encerraram o dia em alta, com o barril do Brent, referência internacional, subindo 1,07%, fechando a US$ 96, e o WTI, do Texas, avançando 1,74%, para US$ 93,76. O mercado continua monitorando a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo, e a ausência de sinais concretos de avanço nas negociações mantém as preocupações com a oferta da commodity, sustentando os preços em patamares elevados.
