Brasil assume presidência da Zopacas e, em reunião realizada na Baía de Guanabara, defende que o Atlântico Sul permaneça livre de guerras, armas nucleares e tensões geopolíticas.
Brasil assume presidência da Zopacas e defende Atlântico Sul em paz
O Brasil passou a liderar, por três anos, a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), bloco formado por 24 países da América do Sul e da costa oeste africana. Ao inaugurar o mandato, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou a necessidade de manter a região livre de “rivalidades que nada têm a ver com os interesses de nossos povos”.
Diante de conflitos ainda ativos em diferentes partes do planeta, Vieira afirmou que “canais, golfos, estreitos, mares e oceanos devem nos aproximar, não dividir”. Ele também ecoou a preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a escalada de hostilidades globais e seus impactos no preço de energia e alimentos, que recaem de forma desproporcional sobre países em desenvolvimento.
Bloco criado na ONU prioriza desarmamento e segurança marítima
Criada em 1986 pela Organização das Nações Unidas, a Zopacas tem como compromissos centrais um Atlântico Sul livre de armas nucleares e de destruição em massa. O Itamaraty considera o acordo pilar da política externa brasileira há quatro décadas, quando o país também participou de sua concepção.
Além do desarmamento, o grupo se dedica a segurança marítima — combate ao tráfico de drogas via embarcações, pirataria e pesca ilegal — e à preservação ambiental. Durante o encontro no Rio de Janeiro, Vieira anunciou a intenção de aprovar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul na próxima assembleia da Comissão Internacional da Baleia e antecipou que os ministros assinariam a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul ainda antes do fim da reunião.
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Cooperação brasileira mira combate à fome e desenvolvimento sustentável
Responsável por articular projetos de cooperação, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) mantém um portfólio que inclui ações de combate à pobreza, alimentação escolar, agricultura familiar, apoio a micro e pequenas empresas e construção de cisternas. Segundo a diretora-adjunta, embaixadora Luiza Lopes da Silva, os países africanos indicam estrategicamente onde pretendem receber suporte, reforçando sua própria soberania.
Detalhes sobre o histórico e o mandato da Zopacas podem ser encontrados no site oficial da Organização das Nações Unidas, que reconhece o pacto como instrumento de estabilidade estratégica.
Com o maior litoral banhado pelo Atlântico Sul — 10,9 mil km —, o Brasil se coloca, nas palavras de Vieira, como “guardião natural” da paz e da sustentabilidade no oceano que o conecta à África. Angola e Namíbia possuem as maiores extensões litorâneas do lado africano.
Assumir a presidência rotativa, sucedendo Cabo Verde, reforça a diplomacia brasileira em defesa de acordos multilaterais e de medidas ambientais ambiciosas, afirmou o chanceler.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
