O déficit de R$ 5,21 bilhões assusta políticos e afasta candidatos ao governo de Minas. Herança fiscal do governo Zema torna o Palácio Tiradentes um desafio para quem quiser assumir em 2027.
Minas Gerais chega à metade de 2026 sem um candidato definido para o governo, enquanto os políticos que conhecem as contas do estado demonstram relutância em assumir o compromisso. O déficit orçamentário aprovado para este ano é de R$ 5,21 bilhões, com uma receita prevista de R$ 127,15 bilhões, em contraste com despesas que alcançam R$ 132,36 bilhões. Essa situação financeira complexa é resultado da herança fiscal deixada pelo governo Zema, caracterizada por uma dívida elevada e uma folha de pagamento pesada, o que limita a margem de manobra para quem assumir o Palácio Tiradentes em janeiro de 2027.
Nos bastidores, esse cenário financeiro é um dos fatores que explicam a hesitação generalizada entre os possíveis candidatos. Até agora, 16 pesquisas eleitorais foram realizadas em Minas nos primeiros seis meses de 2026, conforme o painel do TSE, todas testando nomes que ainda não se consolidaram como favoritos. Os mais mencionados até o momento incluem Alexandre Kalil, do PDT, Ben Mendes, do Missão, Gabriel Azevedo, do MDB, Mateus Simões, do PSD, e Túlio Lopes, do PCB.
Do lado da oposição, o senador Cleitinho, do Republicanos, conta com o apoio do PL e da ala bolsonarista, mas ainda não confirmou sua candidatura. A saída de Rodrigo Pacheco da disputa esvaziou a principal aposta do Palácio do Planalto, deixando o governo federal sem uma alternativa clara em Minas Gerais. O Partido dos Trabalhadores (PT) tenta emplacar um nome próprio, mas enfrenta resistências internas e a dificuldade histórica de competir em um estado que tem mostrado aversão à esquerda.
No final, quem vencer a eleição enfrentará um grande desafio: governar Minas Gerais em um cenário de caixa no limite e com as contas deixadas pelo antecessor à sua frente. A expectativa é de que a definição de candidaturas ocorra em meio a um cenário econômico desafiador e à pressão por soluções que atendam às necessidades do estado.
