Operação policial mira instituto que instala wi-fi em favelas de SP. Suspeita é de sobrepreço e desvio em contrato que saltou de R$ 108 mi para R$ 157 mi.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB) na última segunda-feira, 1º de junho de 2026. A organização é conhecida pela instalação de pontos de wi-fi gratuito em favelas da capital paulista e agora está sob investigação por suspeitas de fraude, sobrepreço e possível desvio de recursos em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.
De acordo com os investigadores, o contrato inicial de R$ 108 milhões foi ampliado para R$ 157,1 milhões por meio de aditivos, o que levantou a suspeita sobre a gestão dos recursos. Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do ICB e sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme ‘Dark Horse’, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Há indícios de que ao menos R$ 26 milhões foram repassados sem a correspondente prestação dos serviços contratados”, afirmou a 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro.
Os agentes recolheram computadores, celulares, documentos e notas fiscais durante a ação. O inquérito foi instaurado a pedido do Ministério Público de São Paulo, que também investiga a possibilidade de que recursos públicos tenham sido usados de forma inadequada, inclusive para financiar produções cinematográficas relacionadas à empresária.
O contrato celebrado com a Prefeitura previa a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet em áreas periféricas até junho de 2025. No entanto, a investigação aponta que apenas 3,2 mil pontos foram efetivamente entregues. A polícia acredita que os aditivos contratuais foram utilizados para justificar os atrasos e ocultar a falta de cumprimento do cronograma.
“Os valores pagos à ONG superam significativamente os parâmetros praticados pelo mercado. A empresa municipal de tecnologia Prodam realizava serviços semelhantes por R$ 230 por ponto instalado, enquanto o contrato com o ICB previa pagamento mensal de R$ 1,8 mil por ponto”, indicou a polícia.
Além das investigações policiais, o Ministério Público também está analisando as prestações de contas da ONG, que apresentaram irregularidades fiscais. Documentos indicam que a entidade utilizou ao menos R$ 4 milhões em notas fiscais canceladas ou emitidas para si própria, o que é considerado uma prática inadequada para justificar despesas do projeto.
Apesar das irregularidades apontadas, a prestação de contas foi aprovada sob a condição de devolução dos valores considerados irregulares. A Prefeitura informou que os cerca de R$ 930 mil questionados foram restituídos pela entidade. A investigação ainda está em andamento, e novos desdobramentos podem surgir à medida que os fatos são apurados.










