Levantamento revela que duas facções dominam o crime organizado no país. Tráfico de drogas aparece em 81% das investigações federais.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão no centro das ações da Polícia Federal (PF) contra o crime organizado no Brasil. Um levantamento divulgado no dia 1º de junho de 2026 revelou que essas duas facções foram responsáveis por 88% das mais de duas mil prisões realizadas pela PF desde 2022.
Os dados indicam que, embora a PF investigue mais de 20 organizações criminosas e duas milícias, PCC e CV concentram quase 90% das detenções. O tráfico de drogas permanece como a principal atividade ligada a essas facções, presente em 81% das investigações conduzidas pela polícia.
Além do tráfico, as investigações da PF abrangem outros crimes, como lavagem de dinheiro, delitos financeiros e crimes ambientais. A pesquisa aponta também que a expansão territorial dessas organizações é significativa, com 58% das prisões ocorrendo em múltiplos estados.
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A questão da segurança pública se tornou uma das principais preocupações da população brasileira e está diretamente ligada à avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para enfrentar esse problema, o Palácio do Planalto lançou, em fevereiro, o programa Brasil contra o Crime Organizado, que busca investimentos de R$ 1 bilhão no Orçamento de 2026 e a oferta de R$ 10 bilhões em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para Estados que aderirem ao programa.
A estruturação do programa foi feita por meio de um decreto e quatro portarias, regulando também dispositivos da chamada Lei Antifacção.
Paralelamente, o governo busca avançar com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que visa aumentar a coordenação da União no combate ao crime organizado e fortalecer a integração entre as forças de segurança. Contudo, essa proposta enfrenta resistência no Senado e ainda não foi pautada.
Recentemente, o governo dos Estados Unidos classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, um entendimento que contrasta com a visão do governo brasileiro, que argumenta que as facções operam com objetivos econômicos, sem motivações ideológicas típicas de grupos terroristas. Essa decisão norte-americana veio após uma visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente dos EUA, onde foram discutidas as facções brasileiras.
