O governo brasileiro reagiu à decisão americana de classificar PCC e CV como organizações terroristas. Bancos nacionais podem sofrer sanções, e o ministro Durigan já articula conversas com Washington.
Autoridades brasileiras estão atentas às implicações da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas internacionais. Na última segunda-feira, 1º de junho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que iniciará conversas com representantes norte-americanos ao longo da semana para abordar os impactos dessa medida.
Durante uma entrevista à rádio CBN, Durigan expressou preocupação com as potenciais sanções que podem ser impostas a bancos brasileiros, além das consequências que isso poderia trazer para o funcionamento do sistema de pagamentos Pix. Ele afirmou:
“Veja, basta você ter uma alegação, uma visita da família Bolsonaro, uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. Aí a autoridade norte-americana pode dizer o seguinte: ‘então esse banco está sancionado pelo Tesouro norte-americano, ele não pode operar com o Pix porque o Pix tem sido usado para movimentar dinheiro de facção criminosa’.”
O ministro também reconheceu que a atuação das facções criminosas no Brasil resulta em um verdadeiro “terror social” e traz prejuízos a serviços públicos. Contudo, ele frisou que essas organizações não atacam os Estados Unidos nem ameaçam sua soberania, o que, segundo ele, são requisitos fundamentais para a classificação como grupo terrorista na legislação americana.
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[É] uma forçação de barra”, comentou Durigan durante a entrevista.
Além disso, Durigan questionou os fundamentos da investigação comercial que os Estados Unidos estão conduzindo contra o Brasil, conhecida como Seção 301. Ele destacou que essa investigação poderá recomendar novas sanções ainda em junho. O ministro afirmou:
“Ela [investigação] tem um caráter político muito mais do que técnico. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes.”
O cenário atual levanta questionamentos sobre as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à segurança e ao combate ao crime organizado.
