O MPF encerrou investigação sobre publicação no Instagram que questionava ausência de atentado contra Lula em 2022. O comentário surgiu após assassinato de pré-candidato colombiano.
O Ministério Público Federal (MPF) decidiu arquivar o inquérito relacionado a um comentário feito em redes sociais que questionava a ausência de um atentado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), durante as eleições de 2022. A decisão foi tomada após uma análise detalhada do caso.
A publicação em questão foi divulgada no Instagram em meados de 2022, em um contexto marcado pela tragédia do assassinato de Miguel Uribe, que era pré-candidato à Presidência da Colômbia e foi morto aos 39 anos. O comentário que gerou a investigação perguntava: “Por que isso não aconteceu com o Lula?”, o que levantou suspeitas de incitação ao crime.
Após a análise, o MPF concluiu que não havia um estímulo claro à prática criminosa, fundamental para caracterizar a incitação. Em nota, o órgão explicou que “para a configuração do crime de incitação, é imprescindível que o agente estimulante faça alusão a uma conduta clara, precisa e determinada com o objetivo de encorajar terceiros a cometerem o crime”. Diante disso, o MPF considerou que “estímulos genéricos não tipificam a conduta” e, portanto, o inquérito foi arquivado.
A decisão do MPF reflete a necessidade de se ter elementos concretos que comprovem a intenção de incitar um crime, e não apenas comentários que possam ser considerados provocativos ou polêmicos. O arquivamento do caso também destaca os limites da liberdade de expressão nas redes sociais, onde muitas publicações podem gerar interpretações diversas.
O arquivamento do inquérito não impede que novos comentários ou publicações que sejam interpretadas como incitadoras sejam alvo de investigação, caso sejam considerados mais explícitos em relação à incitação a atos violentos.
O MPF segue atento a questões que envolvem a segurança pública e a integridade das autoridades, especialmente em tempos de polarização política e social, onde a comunicação nas redes sociais pode ter consequências significativas.

