Eleição presidencial do Peru: Fujimori e Sánchez disputam o poder reúne 34 milhões de eleitores peruanos no domingo, 7 de junho, para decidir quem comandará o país entre 2026 e 2031: a candidata de direita Keiko Fujimori ou o deputado de esquerda Roberto Sánchez Palomino.
Eleição presidencial do Peru: Fujimori e Sánchez disputam o poder
Vantagem curta no primeiro turno
O segundo turno foi convocado após um pleito inicial com 35 concorrentes e apuração prolongada por mais de um mês. Keiko Fujimori terminou na frente, com 17,1 % dos votos, enquanto Roberto Sánchez obteve 12 %. Apesar da diferença, analistas consideram o cenário indefinido, lembrando que a filha do ex-presidente Alberto Fujimori perdeu as três últimas eleições de 2011, 2016 e 2021, sempre na fase decisiva.
Keiko Fujimori mira apoio conservador
Herdeira de um legado marcado por avanços econômicos e graves violações de direitos humanos durante o governo Alberto Fujimori (1990-2000), Keiko tenta capitalizar a memória de estabilidade entre parte do eleitorado. Ao mesmo tempo, enfrenta elevada rejeição, principalmente de grupos indígenas afetados por políticas de esterilização forçada no passado.
Nesta campanha, a postulante do partido Fuerza Popular defendeu um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos, chegando a fazer acenos ao ex-presidente Donald Trump. A estratégia inclui revisar a participação da China em projetos estratégicos, como o Porto de Chancay, ponto crucial de escoamento de commodities sul-americanas para a Ásia. De acordo com análise da agência Reuters, esse reposicionamento pode impactar acordos bilionários de investimento em infraestrutura.
Roberto Sánchez promete nova Constituição
Psicólogo e parlamentar do Juntos Pelo Peru, Roberto Sánchez integrou o gabinete do ex-presidente Pedro Castillo, destituído e preso em 2022 após tentar dissolver o Congresso. O candidato afirma que Castillo foi vítima de um Parlamento conservador e promete uma reforma constitucional para superar a Carta de 1993, elaborada durante o fujimorismo.
Entre as propostas, Sánchez defende reforma tributária progressiva, ampliação de programas sociais e maior participação do Estado em setores estratégicos, visando reduzir a desigualdade que atinge a população rural e indígena.
Influência geopolítica em jogo
Para o professor Gustavo Menon, da USP, o resultado pode alterar o equilíbrio da disputa comercial entre China e Estados Unidos na América do Sul. Enquanto Fujimori sinaliza aproximação com Washington e possível freio à presença chinesa, Sánchez pretende manter e até ampliar as parcerias com Pequim, sobretudo em obras de infraestrutura e mineração.
O pleito ocorre em meio a uma crise política prolongada: o vencedor será o nono presidente peruano em apenas dez anos, após sucessivas quedas de chefes de Estado pelo Parlamento.
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Crédito da imagem: REUTERS
Fonte: REUTERS
