Editoriais de O Globo e Folha atacaram o resgate de R$ 6,5 bi ao Banco de Brasília. Operação envolve o STF e acende alerta sobre blindagem política no uso de recursos públicos.
No último domingo, 31 de maio, os editoriais dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo teceram críticas contundentes ao acordo firmado entre o governo federal e o Distrito Federal para ajudar financeiramente o Banco de Brasília (BRB). A instituição enfrenta uma grave crise de insolvência, resultado de um déficit bilionário, que foi agravado pela tentativa de aquisição de ativos problemáticos do Banco Master.
O plano de resgate, que conta com a intermediação do Supremo Tribunal Federal (STF), prevê a liberação de até R$ 6,5 bilhões em empréstimos através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Estadão classificou os termos desse acordo como uma ofensa ao país e levantou questões sobre possíveis indícios de corrupção e má gestão. O jornal destacou que a ajuda financeira foi aprovada antes que o BRB realizasse uma auditoria e divulgasse seu balanço financeiro do ano anterior.
“Qualquer banco privado com um buraco de R$ 8,8 bilhões nas contas já teria sofrido liquidação extrajudicial ou venda forçada pelo Banco Central, mas as regras mudaram para proteger aliados em ano eleitoral”, afirmou o Estadão.
Além disso, o jornal lembrou que a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia prometido não intervir na crise do banco, mas a postura mudou quando a governadora em exercício do DF, Celina Leão, acionou o STF para obter apoio. O ministro Luiz Fux ficou responsável pelo caso, alegando que a falência do BRB comprometeria a autoridade do Judiciário, dada a quantia de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais geridos pela instituição.
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A Folha de S.Paulo adotou uma linha de análise semelhante, sugerindo que o esforço para capitalizar o BRB se justifica apenas pela conveniência eleitoral dos governantes. O jornal criticou a decisão das autoridades de utilizar recursos públicos, em vez de romper com a prática de controle político sobre o banco estatal, e sugeriu que a melhor solução seria transferir o controle do banco para a iniciativa privada através de licitação.
“As autoridades preferiram queimar o dinheiro do contribuinte brasiliense em vez de romper com o modelo de captura política do banco estatal”, destacou a Folha.
Os editoriais expressaram ceticismo em relação às contrapartidas fiscais que foram impostas ao Distrito Federal, que incluem a promessa de cortar 10% das despesas e congelar reajustes salariais, concursos públicos e incentivos fiscais até o final de 2026. A Folha alertou que promessas de ajuste fiscal feitas por governadores frequentemente não são cumpridas, muitas vezes com a conivência do próprio STF.
O Estadão concluiu que a operação parece estar se encaminhando para um desfecho sem punições para os responsáveis pelos desvios de verbas. O plano oferece um prazo de 15 anos para o pagamento da dívida, com dois anos de carência, utilizando repasses de fundos constitucionais como garantia. Tanto O Estado de S. Paulo quanto a Folha de S.Paulo concordam que esse arranjo financeiro apenas perpetua práticas de governança questionáveis e transfere o ônus da crise para os contribuintes.
