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Política

Estudantes da Faculdade de Direito da USP encerram greve após 35 dias de paralisação

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 03/06/2026
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Na noite de sexta-feira, 29 de maio, os alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar a greve que começou em abril, com uma votação que resultou em 370 votos a favor e 324 contra. A paralisação havia interrompido as aulas na tradicional unidade localizada no Largo de São Francisco, em São Paulo, e foi motivada por uma série de reivindicações relacionadas à permanência estudantil, melhorias na infraestrutura e políticas afirmativas.

A greve foi aprovada em uma assembleia organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, realizada em 23 de abril, onde os estudantes votaram 902 a 459 a favor da interrupção das atividades. Entre as principais demandas estavam melhorias no refeitório da faculdade e nas condições físicas do prédio, além do aumento do benefício de permanência estudantil para o valor do salário mínimo paulista, que atualmente é de R$ 1,8 mil. Os alunos também pediram ampliação das bolsas acadêmicas e uma melhor implementação das ações afirmativas.

No início da greve, os estudantes entregaram um relatório à diretoria da faculdade, destacando problemas estruturais como carteiras quebradas, goteiras, fios expostos e mofo nas paredes. Em resposta, a diretora Ana Elisa Liberatore Bechara afirmou que a gestão da faculdade estava comprometida com o diálogo e a busca de soluções, enfatizando a importância da escuta ativa dos estudantes.

“Estamos sempre abertos ao diálogo e à mobilização para encontrar as melhores soluções para todos”, disse a diretora.

Durante as negociações, um dos pontos mais controversos foi o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, que visa auxiliar alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A reitoria sugeriu um reajuste anual baseado na inflação, aumentando o auxílio integral de R$ 885 para R$ 912. Entretanto, os estudantes exigiam um reajuste mais próximo do salário mínimo.

A USP também apresentou propostas para melhorar o funcionamento dos restaurantes universitários, incluindo a criação de grupos para avaliar a qualidade dos serviços, contratação de novos funcionários e ampliação da oferta de refeições. Além disso, a universidade sugeriu a formação de grupos de trabalho para discutir cotas para pessoas trans e indígenas nos processos seletivos.

Durante o período de greve, os estudantes intensificaram os protestos. No dia 7 de maio, houve a invasão do prédio da reitoria da USP, com o objetivo de pressionar a administração a retomar as negociações que haviam sido encerradas. Três dias depois, a Polícia Militar desocupou o prédio, resultando na detenção de quatro estudantes e alegações de uso de força excessiva.

Apesar da paralisação que durou 35 dias, as atividades de pós-graduação e outros eventos continuaram na faculdade. A expectativa agora é pela retomada das aulas na graduação, após mais de um mês de interrupção.

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