Prevenção do câncer: 25% dos brasileiros ignoram possibilidade
Prevenção do câncer ainda não é consenso entre os brasileiros: relatório nacional aponta que um em cada quatro habitantes desconhece que a doença pode ser evitada por meio da redução de fatores de risco como tabagismo, álcool, sedentarismo e dieta inadequada.
Estudo inédito avalia percepção da população
Divulgado em 3 de junho de 2026, o documento “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer” entrevistou 6,5 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal. A pesquisa foi conduzida pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio técnico do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Segundo o Inca, são estimados 781 mil novos diagnósticos anuais para o triênio 2026-2028, alta de 10,9 % em comparação ao período anterior. O envelhecimento populacional e hábitos pouco saudáveis sustentam essa tendência.
O que a população reconhece como fator de risco
Os entrevistados demonstraram alto nível de consciência sobre o cigarro: 90,5 % sabem que fumar causa câncer. Herança genética (89,4 %) e exposição solar excessiva (88,3 %) também foram bem reconhecidas.
Em contrapartida, apenas 71,3 % apontam o consumo de álcool como perigoso, 70,7 % citam frios e embutidos e 65,6 % relacionam ultraprocessados – como macarrão instantâneo e salgadinhos – ao desenvolvimento da doença. O sedentarismo aparece na base da lista: só 48,3 % o veem como risco.
Alimentação, peso e atividade física
Somente 54,1 % identificam sobrepeso e obesidade como fatores associados ao câncer. Bebidas adoçadas são lembradas por 55,3 % e baixa ingestão de frutas e verduras por 53,3 % dos adultos. A carne vermelha é percebida como risco por 27,5 %.
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Comportamentalmente, 45 % afirmam consumir ultraprocessados e tentar reduzir, enquanto outros 15 % não pretendem mudar o hábito. Para refrigerantes, 53 % admitem consumo com esforço de corte. Já 86,3 % declaram ingerir frutas, legumes e verduras regularmente.
Jovens e renda influenciam escolhas
Pessoas até 24 anos lideram o consumo sem intenção de redução: 32,3 % para ultraprocessados e 49,1 % para carne vermelha. Entre as faixas salariais, quem recebe até R$ 2 mil apresenta menor consciência sobre o sedentarismo (45 %) em comparação aos que ganham acima de R$ 10 mil (59,6 %).
Especialistas defendem políticas públicas
Para Luciana Grucci Moreira, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, campanhas semelhantes às que restringiram o fumo podem ampliar o reconhecimento de outros riscos. Ela destaca que iluminação pública, segurança e espaços adequados são essenciais para incentivar atividade física.
Luciana Sardinha, da Vital Strategies, ressalta que o relatório fornece base para estratégias de comunicação capazes de despertar interesse coletivo e pressionar por medidas de prevenção.
O levantamento também revelou que 40 % desconhecem o aleitamento materno como proteção contra o câncer de mama, indicando oportunidades para ações educativas focadas em mulheres.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
