Na última sexta-feira, 29 de maio, o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) comemorou a decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Em uma entrevista ao programa Oeste Com Elas, o parlamentar analisou as implicações dessa medida.
Bilynskyj destacou que, com a nova classificação, os EUA deverão empregar cem vezes mais recursos no combate a essas organizações. Ele explicou que o orçamento destinado ao enfrentamento do terrorismo nos Estados Unidos é significativamente maior do que o que era destinado anteriormente.
“Foi uma grande vitória do nosso presidente Flávio, e tem um ponto importante que é a questão de orçamento”, afirmou o deputado.
O parlamentar continuou sua análise, explicando que, ao serem classificadas como organizações terroristas, o combate ao PCC e ao CV passará a ser responsabilidade do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que conta com um orçamento muito superior ao do FBI. “A diferença de orçamento entre os dois é de cem vezes. O Departamento de Defesa tem cem vezes o orçamento do FBI. Então, agora, a gente vai ver o emprego de muito mais dinheiro no combate ao PCC e ao CV por parte dos Estados Unidos”, completou Bilynskyj.
Entretanto, a decisão não foi bem recebida pelo governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes de sua equipe manifestaram oposição à classificação, argumentando que as facções criminosas atuam por motivações econômicas e não ideológicas, o que, segundo eles, não justifica a caracterização de terrorismo.
O assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, declarou que equiparar crime organizado a terrorismo “não ajuda” no combate às organizações criminosas.
De acordo com informações da CNN Brasil, ministros do governo Lula se reuniram em caráter de emergência para discutir os impactos que essa decisão pode ter, tanto diplomaticamente quanto financeiramente. Parte da equipe presidencial expressou preocupação com a possibilidade de que a classificação possa resultar em pressões internacionais ou em ações unilaterais por parte dos Estados Unidos na América Latina.
A medida dos EUA, que entra em vigor em 5 de junho, foi confirmada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e marca um movimento significativo na luta contra o crime organizado na região.


