Cigarro eletrônico camuflado preocupa especialistas no Dia Mundial sem Tabaco é o alerta que mobiliza entidades de saúde, após a Fundação do Câncer identificar um avanço rápido desses dispositivos entre adolescentes, com potencial de retroceder décadas de combate ao tabagismo no Brasil.
Cigarro eletrônico camuflado preocupa especialistas no Dia Mundial sem Tabaco
Disfarces tecnológicos ampliam o uso entre jovens
Em relatório divulgado pela Fundação do Câncer, o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni detalhou como novas tecnologias transformaram os vapes em acessórios quase invisíveis. Moletons com vaporizadores embutidos (vaporizer hoodies) e bocais escondidos em cordões permitem que estudantes usem nicotina em salas de aula ou no transporte público sem serem notados. Segundo Maltoni, “essa integração ao vestuário cria uma geração de dependentes ainda mais cedo”.
Apreensões recordes reforçam preocupação
Apesar da proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, o comércio ilegal prospera. Dados da Receita Federal mostram a apreensão de 238.801 unidades de cigarros eletrônicos entre janeiro e fevereiro de 2026 – média superior a 4 mil dispositivos por dia. O número confirma a facilidade de compra em redes sociais, lojas virtuais e pontos de venda informais.
Consequências para o cérebro em desenvolvimento
Milena Maciel de Carvalho, consultora da Fundação do Câncer para tabagismo, destaca que a exposição precoce à nicotina afeta áreas cerebrais ligadas à atenção, aprendizagem e controle de impulsos. Além disso, os aerossóis carregam partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados, elevando riscos respiratórios e cardiovasculares. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) reforça a tendência: a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.
Fusão entre dependência química e digital
Alguns dispositivos incorporam telas sensíveis ao toque, jogos, música e sistemas de mensagens. Outros emitem alertas sonoros quando o usuário deixa de tragar, criando um ciclo de estímulo contínuo. Para Maltoni, trata-se da “fusão entre dependência química e dependência digital”, fenômeno que amplia a dificuldade de abandono.
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Organização Mundial da Saúde corrobora alerta
A campanha global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial sem Tabaco, dedicada a “desmascarar o apelo e combater a dependência de nicotina”, reforça a necessidade de ação. Mais detalhes podem ser encontrados no portal da entidade (OMS), que recomenda endurecer políticas de fiscalização e restringir publicidade voltada a menores.
Propostas para conter o avanço
Inspirando-se no recente pacote britânico que proíbe a venda de tabaco a pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009, Maltoni sugere medidas semelhantes no Brasil: intensificar a repressão à produção, limitar pontos de venda e coibir formatos que camuflem o consumo.
Com a explosão dos vapes camuflados, especialistas temem que o país retroceda nos indicadores que já foram referência mundial de redução do tabagismo. Resta agora acompanhar os desdobramentos legislativos e de fiscalização.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
