O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenhou em diversas ações para tentar evitar que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Contudo, na última quinta-feira, 28 de maio de 2026, o governo norte-americano anunciou que as facções foram incluídas na lista de grupos terroristas do Departamento de Estado.
As negociações do governo brasileiro ocorreram ao longo de pelo menos um ano e englobaram reuniões técnicas em Brasília, contatos diplomáticos entre autoridades dos dois países e até mesmo um documento entregue pessoalmente por Lula ao presidente dos EUA, Donald Trump.
O principal argumento da administração petista foi o de que tanto o PCC quanto o CV são organizações criminosas focadas em atividades ilícitas, e não grupos que se encaixam na definição de terrorismo segundo a legislação brasileira. Em maio de 2025, Mario Sarrubbo, então secretário nacional de Segurança Pública, declarou que o Brasil não possui grupos terroristas, mas sim “organizações criminosas que se infiltraram na sociedade”.
No mês de outubro do mesmo ano, Ricardo Lewandowski, que ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, se manifestou contra um projeto que tramitava na Câmara dos Deputados, o qual buscava equiparar essas facções a organizações terroristas. Lewandowski enfatizou que “grupos terroristas são organizações de outra natureza” e que o governo não tinha “nenhuma intenção de confundir os dois conceitos”.
No início de março, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve uma conversa telefônica com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, depois que o Itamaraty soube que Washington estava considerando incluir o PCC e o CV na lista de terroristas. O governo brasileiro tentou convencer os Estados Unidos a não seguir adiante com essa medida. Uma das preocupações levantadas foi o impacto sobre a soberania nacional. Gleisi Hoffmann, então ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou que, “pela legislação internacional, terrorismo dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país”.
No início deste mês, durante uma reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, o tema foi novamente abordado. Na ocasião, o presidente brasileiro entregou a Trump um documento com argumentos contra o enquadramento das facções como terroristas.
Apesar dos esforços do governo brasileiro, os Estados Unidos anunciaram na última quinta-feira a inclusão do PCC e do CV na lista de terroristas, com a nova classificação entrando em vigor a partir de 5 de junho de 2026.

