No dia 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos fez um anúncio que marca um ponto crucial na política de segurança na América Latina. Pela primeira vez, duas das principais facções criminosas do Brasil – o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) – foram oficialmente reconhecidas como ameaças no âmbito global de combate ao terrorismo.
O comunicado foi assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio e divulgado algumas horas após um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e representantes do governo americano em Washington. Durante essa reunião, as autoridades discutiram temas como crime organizado, narcotráfico e segurança regional, assuntos que já estão ganhando destaque na estratégia dos Estados Unidos para a América Latina.
De acordo com o documento, os EUA classificaram o CV e o PCC como “Specially Designated Global Terrorists” (SDGTs) e manifestaram a intenção de incluí-los na lista de “Foreign Terrorist Organizations” (FTOs), com previsão de vigência a partir de 5 de junho de 2026. Essa mudança representa uma transformação significativa na percepção internacional do crime organizado brasileiro, que até então era visto apenas como organizações criminosas transnacionais.
A nova classificação amplia consideravelmente o poder de ação das autoridades americanas, trazendo diversos efeitos práticos. Entre eles, destacam-se o bloqueio de bens e ativos relacionados às facções, sanções financeiras internacionais e a criminalização de qualquer tipo de apoio material a esses grupos. Além disso, a decisão promete intensificar a cooperação de inteligência e aumentar a pressão diplomática sobre países da região, além de fortalecer operações internacionais contra as redes logísticas e financeiras ligadas às facções.
O governo dos EUA também passou a categorizar o PCC e o CV sob o conceito de “narco-terrorismo”, argumentando que o tráfico de drogas alimenta estruturas violentas que podem ameaçar a estabilidade regional e a segurança nacional dos Estados Unidos. Essa decisão pode ter um impacto político profundo para o Brasil, gerando pressões por uma maior cooperação internacional em áreas como segurança, combate à lavagem de dinheiro e controle de fronteiras.
Ao mesmo tempo, essa situação levanta um debate delicado sobre a soberania nacional e a influência dos Estados Unidos na região, além dos limites da internacionalização do combate ao crime organizado. Essa mudança não é apenas um anúncio diplomático, mas uma estratégia que sinaliza que Washington está tratando grandes facções latino-americanas como atores reconhecidos dentro de sua política global de combate ao terrorismo.
