O período entre as vitórias da Seleção Brasileira no tetra, em 1994, e no penta, em 2002, foi marcado pela gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, que permaneceu no cargo de 1995 até 2002. Ele havia sido ministro da Fazenda e teve papel essencial na criação do Plano Real. A cerimônia de entrega das medalhas aos campeões mundiais em Brasília é lembrada até hoje pelas cambalhotas do ex-jogador Vampeta na rampa do Palácio do Planalto.
Vampeta, que participou de quinze jogos nas eliminatórias da Copa de 2002, recorda com bom humor a cena:
“Eu estive em quinze jogos nas eliminatórias, fiz gol contra a Argentina, disputei partidas em Quito, em Bogotá, em La Paz e em Buenos Aires. Mas o que ficou marcado foi aquela história da rampa do Planalto. Eu me divirto, porque quem é visto é lembrado.”
No seu livro de memórias, escrito em parceria com o jornalista Celso Unzelte, o ex-jogador conta que se inspirou em um torcedor conhecido como ‘Louco’, que tinha permissão para se juntar à equipe durante a Copa.
“Ele chegava, dava cambalhota e falava ‘bom dia’, ‘boa noite’ ou ‘boa tarde’. Sempre depois de uma cambalhota. O nome dele é Nílson Locatelli, uma figura muito conhecida no meio do futebol.”
Vampeta decidiu replicar as cambalhotas na cerimônia do Planalto e revelou que estava um pouco alcoolizado no momento. Os jogadores que participaram da Copa de 2002, realizada no Japão e na Coreia do Sul, sempre destacam a união do grupo liderado por Luiz Felipe Scolari. No entanto, Vampeta também menciona um momento de tensão envolvendo o atacante Luizão, que ficou chateado por não ser convocado para entrar em campo na partida contra a Inglaterra nas quartas de final. O mal-entendido foi resolvido em uma conversa emocionada entre os dois.
O ex-jogador ressalta a importância da amizade entre os membros do time:
“Nós ficávamos em quartos individuais. Eu, Luizão, Dida, Ricardinho e Edilson, nos conhecíamos do Corinthians. A amizade é muito grande até hoje. Quando alguém estava meio chateado, um ia para o quarto do outro. Sempre prevaleceu a união e todos se respeitavam.”
Antes da final contra a Alemanha, em Yokohama, Vampeta sugeriu que todos os reservas participassem da foto oficial, algo que foi aceito após um debate.
“Eu chamei todo mundo do banco, mas disseram que não podia. Aí eu falei: ‘então a foto vai sair com doze’. Aí, o banco todo foi comigo. Essa foi para mim a maior sacada.”
Após a vitória por 2 a 0, Vampeta homenageou sua cidade natal, Nazaré das Farinhas, ao escrever na camisa amarela: “100% Nazaré”. Ele finaliza sua reflexão afirmando que a seleção nunca aceita ser segunda colocada e que é um orgulho fazer parte da história do futebol brasileiro.
