Polícia Federal rejeita delação de Vorcaro após concluir que os dados apresentados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, não coincidem com as provas coletadas desde 2024, quando se iniciaram as investigações sobre a emissão de títulos de crédito sem cobertura.
Polícia Federal rejeita delação de Vorcaro
De acordo com fontes policiais, o parecer negativo já foi remetido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do inquérito que apura suspeitas de fraudes bilionárias contra o Sistema Financeiro Nacional. A corporação ressaltou que novas tratativas poderão ser reabertas se o investigado apresentar elementos considerados relevantes.
Enquanto a Polícia Federal (PF) encerra a negociação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda avalia o mesmo pedido de colaboração premiada. O conglomerado Master, controlado por Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, agravando a crise do grupo no mercado financeiro.
Vorcaro, de 42 anos, foi preso preventivamente em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, passou dez dias detido e ganhou liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele voltou à custódia em 4 de março de 2026, na terceira fase da operação. Em março, ocupava uma sala especial na Superintendência da PF em Brasília para facilitar as conversas sobre o acordo; com o impasse, foi transferido para uma cela comum e pode retornar à Penitenciária Federal, submetendo-se a regras mais rígidas.
Segundo a Lei de Organização Criminosa (Lei 12.850/2013), o ministro relator apenas homologa acordos já firmados entre as partes, sem participar da negociação. Caso a PGR aprove a proposta, as cláusulas seguirão para análise de André Mendonça. Só após a homologação o investigado poderá receber benefícios, como redução de pena, mediante obrigações como a devolução de recursos obtidos ilegalmente e a revelação completa do esquema.
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A PF sustenta que, até o momento, as declarações do banqueiro não acrescentaram fatos novos nem comprovaram pontos cruciais do suposto esquema financeiro. Investigadores afirmam que documentos e depoimentos colhidos ao longo da operação contradizem o relato do executivo, o que motivou a recusa.
Nesse cenário, a expectativa recai sobre o posicionamento final da PGR. Se o órgão também descartar o acordo, Vorcaro deverá responder aos processos sem o benefício da delação, o que pode elevar significativamente sua pena em eventual condenação.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
