Viagem de Mário Frias ao Bahrein e aos Estados Unidos levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino a conceder 48 horas para que a Câmara dos Deputados detalhe a missão internacional e explique a ausência do parlamentar.
Prazo do STF pressiona Mesa Diretora
A determinação de Dino foi assinada na última quarta-feira (20 de maio) depois de cinco tentativas frustradas de um oficial de Justiça para notificar Frias a depor sobre o repasse de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade é vinculada à produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Deputado afirma estar em missão de captação
Em entrevista concedida ao SBT News, Frias declarou que esteve “na semana passada” no Bahrein para “propor investimentos no Brasil” e que, nos Estados Unidos, busca “prospecção de investimento em segurança pública”. O ex-secretário de Cultura disse possuir passagem de retorno, mencionou a filha de 14 anos que vive no Brasil e afirmou estar “pronto para prestar contas”.
Tentativas de notificação sem sucesso
O oficial de Justiça telefonou para o gabinete do parlamentar na quarta-feira (13 de maio) anterior; a secretária informou que ele se encontrava em missão internacional sem data de volta. Na segunda-feira (18), o servidor foi ao endereço residencial registrado em Brasília, mas o porteiro relatou que o deputado não reside ali há dois anos.
Apuração no STF e defesa do parlamentar
Frias é investigado em apuração preliminar por possível desvio de finalidade no uso das emendas. A representação foi apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Em sua defesa, o parlamentar cita parecer da Advocacia da Câmara segundo o qual não houve irregularidades formais no repasse.
O interesse na produção de Dark Horse ganhou repercussão após o site The Intercept divulgar conversa de novembro passado entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre eventual financiamento privado para o filme. Após a publicação, o senador negou qualquer acordo irregular.
Próximos passos
Com o prazo de 48 horas em curso, a Câmara deve informar ao STF o roteiro oficial da viagem, fontes de custeio e a data exata de retorno do deputado. Caso não haja resposta, o ministro poderá adotar medidas coercitivas para garantir o andamento da investigação.
O desdobramento do caso será acompanhado em nossa editoria de Justiça. Continue conosco para mais atualizações envolvendo o STF e o cenário político.
Crédito da imagem: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Fonte: Agência Brasil
