Investigação de Dino sobre emendas a produtora de filme de Bolsonaro avança O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de investigação preliminar para apurar o envio de emendas parlamentares a organizações não governamentais vinculadas à produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investigação de Dino sobre emendas a produtora de filme de Bolsonaro avança
A decisão, tornada pública na última sexta-feira (15 de maio de 2026), atende a pedidos formais da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e, posteriormente, do deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). Ambos apontaram possível desvio de finalidade no uso de recursos públicos encaminhados por emendas parlamentares.
Os questionamentos miram os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Mário Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF), responsáveis por destinar verbas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura. As duas entidades integram um mesmo conglomerado de ONGs e mantêm vínculo com a Go Up Entertainment, produtora do longa Dark Horse, ainda inédito e centrado na trajetória política de Bolsonaro.
Segundo documentos enviados ao STF, Frias direcionou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil por meio de emendas de 2024 e 2025. Ao serem notificados, Pollon e Kicis negaram repasses diretos à produtora. Frias deverá prestar esclarecimentos, mas não foi localizado pelo oficial de Justiça; por isso, Dino requisitou à Câmara dos Deputados os endereços residenciais do parlamentar em São Paulo e Brasília.
O inquérito tramitará sob sigilo, conforme despacho do relator. De acordo com especialistas consultados pelo próprio Supremo, eventuais irregularidades podem caracterizar improbidade administrativa e, caso confirmadas, gerar responsabilização cível e penal.
Paralelamente, reportagem publicada pelo The Intercept revelou conversa de novembro do ano passado em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear as filmagens. Após a divulgação, o senador negou qualquer vantagem indevida e afirmou que os aportes seriam privados.
Integrantes da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara já discutem convocar os parlamentares envolvidos para depoimentos públicos, enquanto a oposição pressiona por transparência nos contratos entre ONGs e a Go Up Entertainment.
Com a apuração em curso, o STF deve analisar os esclarecimentos dos deputados antes de decidir pela abertura de inquérito formal. Caso surjam indícios robustos, a Procuradoria-Geral da República poderá ser chamada a denunciar os envolvidos.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
