Programa federal contra o crime organizado terá R$ 11 bi em ações foi apresentado pelo governo em 12 de maio de 2026 como nova estratégia de enfrentamento às facções, combinando investimento direto e crédito para estados e municípios.
Quatro eixos para minar o poder das facções
O programa federal contra o crime organizado, batizado de Brasil Contra o Crime Organizado, baseia-se em quatro frentes: asfixia financeira, reforço da segurança prisional, qualificação da investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos. Segundo o Palácio do Planalto, cada eixo responde a pilares que sustentam o poder das facções — fluxo de dinheiro, controle nas cadeias, impunidade nos crimes letais e poder bélico.
Recursos: R$ 1,06 bi de investimento e R$ 10 bi em crédito
Nesta primeira etapa serão aplicados R$ 1,06 bilhão em recursos federais. Além disso, haverá uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões, proveniente do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis), criada para que governos locais comprem viaturas, drones, sistemas de radiocomunicação, bloqueadores de celular e reformas em presídios, entre outros itens.
Eixo 1 – Asfixia financeira
Com aporte de R$ 388,9 milhões, este eixo fortalece as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e prevê uma força nacional para operações interestaduais de alta complexidade. Também amplia o Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA) e incentiva o uso de novas tecnologias de análise de dados e a alienação antecipada de bens de criminosos.
Eixo 2 – Segurança nos presídios
Para interromper articulações a partir das cadeias, R$ 330,6 milhões serão investidos na elevação de 138 estabelecimentos ao padrão de segurança máxima federal. O plano inclui aquisição de georradares, scanners corporais, bloqueadores de sinal, drones e a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP). Segundo o Ministério da Justiça, 80% das lideranças de facções já cumprem pena nesses locais.
Eixo 3 – Investigação de homicídios
Com orçamento de R$ 201 milhões ainda em 2026, o governo pretende fortalecer polícias científicas, modernizar Institutos Médico-Legais e integrar bancos genéticos e balísticos. Refrigeradores para transporte de corpos, cromatógrafos e equipamentos de DNA estão entre as compras previstas, visando aumentar o índice de elucidação de assassinatos.
Eixo 4 – Combate ao tráfico de armas
Cerca de R$ 145 milhões serão destinados à criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (Renarm), ao fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) e ao aparelhamento de delegacias especializadas. A meta é reforçar rastreamento, perícia e operações conjuntas para reduzir o fluxo ilegal de armamentos.
Operações mensais e integração federativa
O cronograma prevê operações mensais integradas das Ficcos estaduais e da futura Ficco nacional, além da instalação de CIFRAs estaduais até setembro deste ano. O presidente Lula destacou que a iniciativa não substituirá a ação de governos locais, mas busca sincronizar esforços para evitar que facções explorem a fragmentação institucional.
Mais detalhes sobre a política de segurança pública podem ser conferidos no site oficial do Ministério da Justiça, que centraliza relatórios e atualizações sobre o programa.
O Brasil Contra o Crime Organizado parte de experiências bem-sucedidas, como a Operação Carbono Oculto de 2025 contra o PCC e o modelo dos presídios federais. Para o ministro Wellington César Lima e Silva, a combinação de sufocamento financeiro, ações em presídios, investigação de homicídios e repressão a armas forma “a lógica completa” para enfraquecer as facções.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
