Tarifas Brasil EUA: Lula e Trump dão 30 dias para acordo Tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros deverão ser reavaliadas em até um mês, conforme determinação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump após reunião na Casa Branca, em Washington.
Tarifas Brasil EUA: Lula e Trump dão 30 dias para acordo
Durante o encontro bilateral realizado na última quinta-feira (7 de maio), os chefes de Estado encarregaram os respectivos ministros da Indústria e Comércio a elaborarem, em 30 dias, uma proposta conjunta para encerrar o impasse tarifário e a investigação norte-americana baseada na Seção 301 da Lei de Comércio.
“O grupo de trabalho vai sentar, comparar dados e apresentar uma solução definitiva; quem estiver errado vai ceder”, declarou Lula a jornalistas na Embaixada do Brasil, após mais de três horas de conversa com Trump, que incluiu um almoço oficial.
Investigação sob a Seção 301 e defesa brasileira
Os Estados Unidos acusam o Brasil de concorrência desleal, citando o sistema Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual. Técnicos brasileiros viajaram a Washington em abril para rebater as alegações e argumentaram que a Organização Mundial do Comércio não reconhece instrumentos unilaterais como a Seção 301.
Segundo Lula, o Pix não foi mencionado na conversa entre os presidentes. O governo brasileiro insiste no arquivamento da investigação e reitera que a disputa deve seguir os canais multilaterais previstos pela OMC.
Cooperação contra crime organizado
No mesmo encontro, Lula anunciou que o Brasil lançará um plano nacional de combate ao crime organizado e que haverá cooperação com os EUA para sufocar financeiramente facções transnacionais. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as receitas federais dos dois países farão operações conjuntas para bloquear contrabando de armas e drogas sintéticas.
Minerais críticos e terras raras em pauta
Lula informou ainda a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que cria um conselho para definir minerais prioritários e estimula parcerias internacionais na cadeia de terras raras. Com cerca de 21 milhões de toneladas mapeadas, o Brasil possui a segunda maior reserva global desses insumos, atrás apenas da China.
O presidente ressaltou que o país “não quer ser mero exportador” e pretende agregar valor à produção, evitando a repetição de ciclos históricos de exploração de recursos brutos.
Questão de vistos e agenda diplomática
Lula entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras que ainda enfrentam restrição de vistos como retaliação a processos relacionados à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Entre os afetados estariam familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Fizeram parte da comitiva brasileira os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Histórico de tensões comerciais
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos atravessam fase turbulenta desde 2025, quando Washington retomou tarifas de 25% sobre aço e alumínio brasileiros. Novas sobretaxas foram impostas em abril deste ano, levando Brasília a recorrer à OMC e a adotar medidas de reciprocidade. Embora haja recuos pontuais, setores estratégicos ainda operam sob tarifas elevadas.
A delegação brasileira retornou a Brasília na madrugada seguinte ao encontro, levando na bagagem a expectativa de um acordo tarifário que reduza pressões sobre as exportações nacionais.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
