Inquérito contra vereador Salvino Barbosa é arquivado pela Justiça do Rio após o juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, apontar falhas graves na investigação que associava o parlamentar ao Comando Vermelho.
Inquérito contra vereador Salvino Barbosa é arquivado pela Justiça do Rio
Em decisão divulgada recentemente, o magistrado determinou o trancamento do procedimento policial que levou à prisão de Salvino Oliveira Barbosa (PSD) em 11 de março de 2026. O vereador, eleito em 2024 e ex-secretário municipal da Juventude na gestão de Eduardo Paes, havia sido liberado dois dias depois por ausência de provas consistentes.
Juiz critica condução do caso
No despacho, Ongaratto destacou que a Polícia Civil baseou a investigação unicamente em uma conversa de WhatsApp, de 25 de março de 2025, na qual o nome de Salvino fora mencionado a Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como líder da facção. Para o juiz, não existe “qualquer outro elemento concreto” que indique participação do vereador em atividade criminosa.
Irregularidades nas diligências
A decisão lista conduções coercitivas a pastores da igreja frequentada por Salvino e a seus avós, realizadas sob ameaça de indiciamento por desobediência. Segundo Ongaratto, o pastor Miquea de Souza Brandão depôs às 21h25 de 16 de março, com o termo de declaração registrado como “voluntário” para maquiar a coerção. Os familiares foram ouvidos sem advogados e submetidos a perguntas sobre rotina religiosa e finanças, temas considerados alheios ao objeto do inquérito.
Divulgação de dados e “fishing expedition”
O juiz censurou a divulgação, em redes sociais institucionais, de supostas movimentações financeiras atípicas de Salvino, incluindo depósito de R$ 100 mil. O vereador justificou o valor como prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas por ações sociais — informação que não embasou o pedido de prisão. Para Ongaratto, as investigações evoluíram sem novos indícios, caracterizando “fishing expedition”, prática repudiada pelos tribunais superiores.
Repercussão política
Aliado de Salvino, o ex-prefeito Eduardo Paes já havia classificado a operação como perseguição política. O cenário eleitoral no Rio de Janeiro se intensifica com a pré-candidatura de Paes ao governo estadual, enfrentando Douglas Ruas (PL), recém-eleito presidente da Alerj, enquanto o ex-governador Cláudio Castro (PL) está inelegível.
Manifestação de Salvino e resposta da polícia
Em suas redes sociais, Salvino celebrou a decisão e alertou para “investigações tendenciosas” que ameaçariam a democracia, citando orgulho de ter nascido na Cidade de Deus. Procurada, a Polícia Civil afirmou que todas as medidas foram baseadas em critérios técnicos, avaliadas pelo Ministério Público e pela Justiça, e reiterou respeito às decisões judiciais.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
