Surto de hantavírus: passageiros deixam navio MV Hondius
Surto de hantavírus: passageiros deixam navio MV Hondius mobilizou autoridades espanholas e francesas para retirar, em etapas, os 149 ocupantes do cruzeiro atracado em Tenerife, após três mortes e seis casos confirmados da doença.
Evacuação de passageiros segue protocolo militar
Quatorze cidadãos espanhóis — treze turistas e um tripulante — foram os primeiros a desembarcar, por volta das 5h30 de domingo (10 de maio), utilizando lanchas que os levaram do MV Hondius até o porto de Granadilla. De lá, seguiram para o Aeroporto de Tenerife Sul e, em seguida, voaram em aeronave militar até a Base Aérea de Torrejón, próxima a Madri, onde foram internados no Hospital Gómez Ulla.
Logo depois, cinco franceses deixaram o navio sob as mesmas medidas de biossegurança. Durante o voo para Paris, um passageiro inicialmente assintomático apresentou sintomas compatíveis com o hantavírus, informação confirmada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
Operação internacional coordenada pela OMS
A empresa holandesa Oceanwide Expeditions, responsável pelo cruzeiro, informou que os 102 passageiros e 47 tripulantes de diversas nacionalidades serão repatriados assim que houver voos disponíveis. Todas as etapas seguem as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda quarentena nos países de origem.
A complexa operação, que envolve mais de 30 integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) da Espanha, deve continuar até, pelo menos, a tarde de segunda-feira (11 de maio). Cerca de 30 tripulantes permanecerão a bordo para conduzir o navio até Rotterdam, na Holanda, numa viagem estimada em cinco dias.
Cronologia das mortes e casos confirmados
O MV Hondius deixou Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1.º de abril. Dez dias depois, um passageiro holandês morreu a bordo; seu corpo foi desembarcado apenas em 24 de abril, na ilha de Santa Helena, onde, três dias depois, sua esposa também faleceu. A terceira vítima, um turista alemão, morreu em 2 de maio.
Até a manhã de domingo, a OMS contabilizava seis casos confirmados de hantavírus entre os viajantes, incluindo os três óbitos, além de dois casos suspeitos sob investigação.
Entenda a doença
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres. A infecção pode ocorrer pela inalação de partículas presentes em fezes, urina ou saliva desses animais. Segundo a OMS, a transmissão entre pessoas é rara e exige contato muito próximo, geralmente por secreções respiratórias. Os sintomas iniciais incluem febre e dores musculares, podendo evoluir para dificuldade respiratória e fadiga extrema.
Em comunicado à população de Tenerife, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, reforçou que o risco de contágio para residentes da ilha é considerado baixo, graças aos protocolos de isolamento adotados.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
