Canetas emagrecedoras: riscos do uso indiscriminado à saúde ganham destaque após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciar, recentemente, uma proposta de instrução normativa que define requisitos para medicamentos à base de agonistas do receptor GLP-1, categoria que inclui semaglutida, tirzepatida e liraglutida.
Canetas emagrecedoras: riscos do uso indiscriminado à saúde
A popularidade desses fármacos estimulou a venda irregular, inclusive de versões manipuladas sem registro. Para conter o avanço, a Anvisa criou grupos de trabalho, intensificou fiscalizações e articulou, em carta de intenção, uma ação conjunta com os Conselhos Federais de Medicina, Odontologia e Farmácia. O foco é promover o uso racional e coibir práticas ilegais.
Dados apresentados pela autarquia revelam a dimensão do problema: no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos para formulações manipuladas, quantidade suficiente para cerca de 20 milhões de doses. No mesmo período, 1,3 milhão de unidades foram apreendidas por irregularidades de transporte ou armazenamento.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Neuton Dornelas, os medicamentos representam uma “revolução” no tratamento de obesidade e diabetes, mas o consumo sem acompanhamento médico é alarmante. Ele defende, inclusive, a suspensão temporária da manipulação para reduzir o risco sanitário enquanto novas medidas de fiscalização não são implementadas.
Dornelas lembra que as canetas atuam em três frentes: controle da glicose, retardamento do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade por ação no sistema nervoso central. Com esses mecanismos, a semaglutida costuma propiciar perda de peso média de 15%, enquanto a tirzepatida pode chegar a 25%, conforme dose e adesão a mudanças de estilo de vida.
Apesar da eficácia, efeitos colaterais como náuseas e vômitos são relatados, e a Anvisa recebeu notificações de casos mais graves, incluindo pancreatite. O risco se amplia quando o produto é adquirido em mercados paralelos ou sem conservação adequada. A formação de cálculos biliares, favorecida pelo esvaziamento gástrico retardado, também eleva a possibilidade de inflamação pancreática.
Segundo Dornelas, a segurança concentra-se em quatro pilares: uso de medicamentos com registro no Brasil, prescrição e acompanhamento médicos, aquisição em farmácias legalizadas e respeito às doses indicadas. “Náuseas intensas, vômitos persistentes ou dor abdominal aguda são sinais de alerta e exigem avaliação imediata”, destaca.
Mais informações sobre o controle de produtos irregulares podem ser consultadas no site oficial da Anvisa, que reúne notas técnicas e alertas à população.
Para aprofundar a discussão sobre saúde e bem-estar, acesse a editoria de Saúde do Giro pela Bahia e acompanhe atualizações diárias.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
