Senegal reforça protagonismo no Sul Global ao sediar Fórum de Dacar — A capital senegalesa, Dacar, recebeu o 10º Fórum Internacional sobre Paz e Segurança na África, reunião de dois dias que congregou chefes de Estado de 38 países, 18 deles africanos, além de representantes de dez organismos multilaterais. O encontro marcou mais um passo da diplomacia senegalesa para ampliar sua voz no grupo de nações em desenvolvimento conhecido como Sul Global, bloco no qual o Brasil também busca liderança.
Estabilidade interna sustenta ambições externas
Com quase 4 milhões de habitantes em sua região metropolitana e considerada uma das democracias mais sólidas da África, Senegal nunca sofreu golpe de Estado. Essa trajetória foi destacada pelo moçambicano Leonardo Santos Simão, chefe do Escritório da Organização das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel. Segundo ele, a conjuntura regional — marcada por conflitos internos, terrorismo e crime organizado — torna o fórum um raro espaço de diálogo para soluções endógenas.
Sahel concentra maior índice de terrorismo global
Dados da edição 2026 do Índice de Terrorismo Global apontam que o Sahel respondeu por mais da metade das mortes por ataques em 2025, principalmente em Mali, Burkina Faso e Níger. Ao posicionar-se como mediador desse cenário, Dacar sinaliza capacidade de liderança regional, avaliou Simão.
Soft power e agenda ampliada
O professor Carlos Lucas Mamboza, especialista em Estudos Estratégicos e docente da Universidade Federal Fluminense, classificou o fórum como instrumento de soft power. O tema deste ano, “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: quais soluções sustentáveis?”, demonstra, segundo ele, o esforço africano de definir prioridades próprias diante da competição entre China, Rússia e Estados Unidos. A programação incluiu debates sobre mudanças climáticas, pandemias, cibersegurança e criminalidade transnacional.
Aliança com o Brasil fortalece eixo Atlântico Sul
As afinidades com a diplomacia brasileira foram reiteradas pela participação da embaixadora Daniella Xavier e pela menção à Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), bloco integrado por mais de 20 países. Há poucas semanas, o Brasil assumiu a presidência da Zopacas no Rio de Janeiro, reforçando o elo com Dacar na defesa de reformas na governança global, entre elas a ampliação do Conselho de Segurança da ONU.
Estados Unidos sinalizam mudança de abordagem
O subsecretário adjunto do Departamento de Estado, Richard Michaels, reconheceu a “liderança transformadora” de Senegal e defendeu nova relação com países africanos baseada em comércio, não em dependência. Ele enfatizou o interesse norte-americano na cadeia de minerais críticos, considerada essencial para transição energética e tecnologia.
No encerramento, o presidente Bassirou Diomaye Faye reafirmou que Dacar se propõe a ser “capital do diálogo estratégico africano e internacional” e indicou que o país de 19 milhões de habitantes continuará buscando parcerias Sul-Sul para enfrentar pobreza, exclusão e insegurança.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
