Crise de confiabilidade no Judiciário foi classificada como “grave” pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante palestra a estudantes de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (17 de abril).
Crise de confiabilidade no Judiciário é grave, diz Cármen Lúcia
Falando a uma plateia formada por futuros operadores do Direito, a magistrada ressaltou que a perda de credibilidade do sistema de Justiça precisa ser admitida por todos os atores, inclusive pelos próprios tribunais. De acordo com ela, somente o reconhecimento do problema permitirá recuperar a confiança social e atrair novos talentos à magistratura.
Cármen Lúcia também destacou as exigências da carreira. Ela relatou ter vivido mais momentos de satisfação profissional quando atuava como advogada do que nos seus vinte anos como juíza, frisando que a função exige “dedicação permanente e espírito público” diante de pressões constantes.
A preocupação da ministra ecoa avaliação semelhante feita, mais cedo, pelo presidente do STF, Edson Fachin. Em declaração pública, Fachin admitiu que a Corte atravessa uma crise institucional que precisa ser enfrentada de forma transparente. A convergência de discursos dos dois ministros reforça a percepção de que os problemas de imagem do Judiciário ultrapassam casos pontuais e já afetam a legitimidade do tribunal.
Entre os fatores que vêm alimentando esse cenário está a tentativa do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) de incluir os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O pedido de indiciamento, mesmo rejeitado, ampliou o desgaste interno em meio às apurações que envolvem o Banco Master.
Especialistas citados pelo Supremo Tribunal Federal apontam que crise de reputação fragiliza a percepção de imparcialidade e dificulta a cooperação entre os poderes, pressionando a Corte a adotar medidas de transparência e aproximação com a sociedade.
No encerramento da palestra, Cármen Lúcia pediu aos estudantes que não desistam da magistratura e reforçou a necessidade de compromisso ético para fortalecer o Estado de Direito.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
