Irã ameaça bloquear comércio marítimo em retaliação ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, alertou o major-general Ali Abdollahi na última quarta-feira (15 de abril), elevando a tensão em rotas estratégicas do Golfo Pérsico, Mar de Omã e Mar Vermelho.
Ameaça de resposta “decisiva”
No comunicado divulgado pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbia, Abdollahi afirmou que qualquer continuidade da “ação ilegal” norte-americana será tratada como violação do cessar-fogo em vigor entre Teerã e Washington. Segundo o militar, as Forças Armadas iranianas “não permitirão exportações ou importações” naquelas rotas caso o cerco persista.
Pontos de estrangulamento do petróleo
O possível fechamento do estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, somado às restrições já existentes no Estreito de Ormuz, pode agravar a crise global de petróleo. Estimativas da Agência Internacional de Energia indicam que cerca de 20% do comércio da commodity passa por Ormuz, enquanto Bab el-Mandeb responde por até 5% do fluxo mundial.
Contexto do bloqueio norte-americano
Os EUA mantêm navios de guerra impedindo a passagem de embarcações que cheguem ou saiam de portos iranianos. A Casa Branca, sob o presidente Donald Trump, busca pressionar Teerã a aceitar novos termos de negociação. O Irã considera a iniciativa uma violação de sua soberania.
Mediação do Paquistão
Em visita a Teerã, o chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, levou mensagem de Washington e discutiu uma possível nova rodada de conversas, após tentativa malsucedida no fim de semana anterior. Munir foi recebido pelo ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.
Pressão por cessar-fogo no Líbano
Teerã também busca um cessar-fogo no Líbano, palco de confrontos entre Israel e Hezbollah. Uma fonte iraniana ouvida pela emissora Al-Mayadeen declarou esperar acordo de uma semana que coincida com o término do atual cessar-fogo Irã-EUA. A mesma fonte alertou para possível interferência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Programa nuclear permanece inegociável
Durante coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, reafirmou que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear com fins pacíficos, atribuindo o impasse às “exigências excessivas” norte-americanas.
As declarações iranianas mantêm o Golfo Pérsico em alerta máximo, com mercados globais de energia acompanhando cada movimento das potências regionais e internacionais.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
