Cessar-fogo EUA e Irã é considerado frágil e pode preceder novo ataque Analistas em geopolítica avaliam que a trégua anunciada por Washington e Teerã serve, sobretudo, para que as Forças Armadas norte-americanas reabasteçam munições e reposicionem tropas antes de um possível bombardeio de grande escala contra o Irã.
Mobilização aérea sustenta hipótese de pausa tática
O diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, afirmou que a movimentação de cerca de 500 aeronaves norte-americanas no Oriente Médio indica “uma pausa operacional” destinada a preparar novo ataque. Segundo ele, a logística de artilharia dos Estados Unidos continua em expansão, reforçando o caráter precário do cessar-fogo.
Laterza recordou que, em conflitos anteriores, Washington aplicou a estratégia de intenso bombardeio seguido de retirada, como ocorreu no Vietnã do Norte em 1972. Para o historiador, o padrão pode se repetir, com ofensiva aérea maciça ou até desembarque terrestre antes de qualquer recuo definitivo.
Esgotamento de mísseis preocupa Pentágono
O cientista político Ali Ramos ressaltou que a indústria bélica norte-americana produz anualmente cerca de 90 mísseis Tomahawk e entre 500 e 600 Patriot. De acordo com o especialista, mais de 800 mísseis Patriot teriam sido disparados na primeira semana do conflito, o que pressiona os estoques e expõe vulnerabilidades das defesas aéreas.
Ramos observou que aeronaves de transporte C-130 continuam levando armamentos adicionais à região, mas ponderou que os Estados Unidos enfrentariam dificuldades para sustentar uma guerra prolongada. “O país pode optar por um ataque de curta duração, proclamar vitória e forçar concessões iranianas”, disse.
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Pressão internacional molda posicionamento iraniano
Segundo Ramos, China e nações do Golfo teriam pressionado Teerã a aceitar a trégua, numa tentativa de reposicionar o Irã como ator moderado no tabuleiro regional. Mesmo assim, a centésima série de ataques iranianos, relatada na última quarta-feira (8 de abril) contra 25 alvos em Israel, Arábia Saudita e em outros pontos do Oriente Médio, evidencia a fragilidade do acordo.
Israel tenta minar entendimento
O ataque maciço de Israel ao Irã, também na quarta-feira, foi visto por especialistas como tentativa de implodir o acordo entre Washington e Teerã. Para Ramos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta pressão doméstica e depende do estado de guerra para sustentar apoio político, motivo pelo qual Israel “fará todo o possível para reativar o conflito”.
Teerã ameaça abandonar o cessar-fogo se os ataques israelenses ao Líbano continuarem. Em entrevista à rede norte-americana PBS News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Líbano “não faz parte do acordo” em razão da presença do Hezbollah.
Para mais detalhes sobre o cenário geopolítico, a agência Reuters acompanha em tempo real os desdobramentos no Oriente Médio.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
