Guerra no Irã: Lula diz que conflito é de Trump, não do Brasil — Na última terça-feira (31 de março), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a responsabilizar o ex-presidente norte-americano Donald Trump pela escalada do confronto no Oriente Médio e pelos reflexos no preço internacional do petróleo, que pressionam o valor do óleo diesel no mercado interno brasileiro.
Guerra no Irã: Lula diz que conflito é de Trump, não do Brasil
Falando em São Paulo durante a cerimônia de 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni) e 14 anos da Lei de Cotas Raciais, Lula argumentou que, apesar de a Petrobras buscar segurar reajustes, a venda da BR Distribuidora no governo anterior dificulta a chegada de eventuais reduções às bombas. O país ainda importa cerca de 30 % do diesel que consome.
“Nós só vamos sossegar quando o preço do óleo diesel não subir, porque a guerra é do Trump, a guerra não é do povo brasileiro, e a gente não tem que ser vítima desse conflito”, afirmou o presidente, ressaltando que órgãos como Polícia Federal e Ministério Público monitoram possíveis práticas abusivas na cadeia de distribuição.
Lula ampliou o tom geopolítico e cobrou ação das potências com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — para interromper as hostilidades. Segundo ele, o colegiado criado em 1945 “deveria garantir a paz, mas tem alimentado guerras”.
Subsídio emergencial ao diesel
O ministro Dario Durigan confirmou que uma medida provisória deve instituir subsídio temporário de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, compartilhando o custo estimado de R$ 3 bilhões em dois meses entre União e estados. Cada lado arcaria com R$ 0,60 por litro, tentativa de reduzir a defasagem entre preços internos e o mercado externo e, assim, frear a inflação.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Relatórios técnicos apontam que, desde o início dos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel sobre território iraniano no fim de fevereiro, o barril de petróleo subiu cerca de 50 %. Além da pressão sobre combustíveis, especialistas alertam para riscos ambientais e climáticos caso a guerra se prolongue na região, onde se concentram alguns dos maiores produtores mundiais de petróleo.
Impacto no bolso do consumidor
Economistas ouvidos pelo governo indicam que a alta do diesel afeta o transporte de carga e, por consequência, produtos básicos como arroz, feijão e hortaliças. “Se o combustível sobe, o preço chega na feira”, reforçou Lula ao público composto majoritariamente por estudantes.
O Planalto avalia outras frentes, como negociação com distribuidoras independentes e estímulo à produção interna de biodiesel, para reduzir a dependência externa. Contudo, a sustentação de qualquer política dependerá da evolução do conflito e das decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Enquanto não há sinais concretos de cessar-fogo, o presidente sustenta que o Brasil deve “fazer a sua parte” para proteger consumidores e transportadores. O texto da medida provisória pode ser publicado ainda nesta semana no Diário Oficial da União, entrando em vigor imediatamente, mas sujeito à aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias.
Continue acompanhando os desdobramentos políticos e econômicos na editoria de Política do Giro pela Bahia e fique informado sobre as próximas ações do governo.
Crédito da imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
