Vacinação contra HPV cresce, mas mortes por câncer seguem
Vacinação contra HPV registra avanço consistente na América Latina, porém o número de óbitos por câncer de colo do útero continua elevado, revela estudo divulgado em fevereiro de 2026 pela revista The Lancet.
Dados de cobertura mostram progresso desigual
Pesquisadores analisaram informações de 35 países e territórios da América Latina e do Caribe. A cobertura vacinal feminina varia de 45% a 97% nos países latino-americanos, enquanto no Caribe oscila entre 2% e 82%, índices ainda distantes da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda imunizar 90% das meninas até os 15 anos.
No Brasil, dados de 2024 apontam 82,83% de cobertura entre meninas e 67,26% entre meninos de 9 a 14 anos. Para acelerar o processo, o Ministério da Saúde adotou esquema de dose única e incluiu, em 2025, jovens de 15 a 19 anos não vacinados.
Rastreamento oportunístico limita resultados
Mesmo com mais pessoas imunizadas, especialistas destacam que o modelo de rastreamento do câncer de colo do útero é o principal entrave. Segundo Flavia Miranda Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer, a maioria dos países ainda depende do rastreamento oportunístico, em que o exame só é realizado quando a mulher procura o serviço de saúde por outro motivo. Essa estratégia gera diagnósticos tardios e maiores taxas de mortalidade.
O rastreamento organizado, defendido por Corrêa, prevê identificação da população-alvo (mulheres de 25 a 64 anos), convocação ativa, busca de faltosos e integração dos sistemas de informação, garantindo acompanhamento completo — do exame ao tratamento.
Novo teste de DNA-HPV ganha espaço
Atualizações do Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, lançadas em janeiro de 2026, recomendam a transição gradual do tradicional Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV. Argentina, Brasil, Chile e México já iniciaram a mudança, enquanto a citologia continua predominante em outros países da amostra.
No Brasil, a integração entre atenção primária, secundária e terciária busca reduzir perdas de seguimento. A interoperabilidade de sistemas é apontada como ponto crítico para impedir que pacientes abandonem o tratamento.
Prevenção masculina também é fundamental
A vacinação de meninos protege contra cânceres de ânus, pênis, garganta e pescoço, além de verrugas genitais. Especialistas reforçam que elevar a cobertura masculina ajuda a diminuir a circulação do vírus e protege toda a comunidade.
Meta global e projeções
A OMS estabelece três pilares para eliminar o câncer de colo do útero: 90% das meninas vacinadas, 70% das mulheres rastreadas e 90% dos casos tratados. Estudos indicam que, alcançadas as metas, a incidência da doença pode cair a níveis residuais nas próximas décadas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
