Brasileiros no Irã não pedem ajuda para sair, diz embaixador — A comunidade brasileira que vive em território iraniano, estimada em cerca de 200 pessoas, não solicitou qualquer tipo de apoio para deixar o país, informou o embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, em entrevista concedida na última segunda-feira (2 de março).
Brasileiros no Irã não pedem ajuda para sair, diz embaixador
Comunidade brasileira é reduzida e permanece segura
Segundo Guimarães, a maioria dos brasileiros no Irã é formada por mulheres que se casaram com cidadãos iranianos. “Não temos notícias de vítimas entre nossos nacionais”, relatou o diplomata ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional. Um grupo de WhatsApp mantido pela representação brasileira serve de canal de contato, ainda que funcione de maneira intermitente por causa de eventuais restrições à internet.
O único caso registrado de saída foi o de um treinador de futebol, que deixou o território iraniano por meios próprios, atravessando a fronteira com a Turquia.
Diplomacia monitora situação e avalia riscos
O embaixador explicou que a orientação do governo brasileiro é prestar assistência consular, proteger a equipe da missão diplomática e reportar continuamente a situação para avaliação de eventuais medidas adicionais. Até o momento, não há decisão sobre a retirada do corpo diplomático. “A cada momento precisamos sentir se ainda existem condições de permanência”, afirmou.
Apesar dos bombardeios frequentes, Guimarães observa que serviços essenciais — energia, água e abastecimento de mercados — permanecem em funcionamento. Ele pondera, no entanto, que sempre existe o risco de “efeitos colaterais” resultantes da escalada militar iniciada por Estados Unidos e aliados.
Intensificação dos ataques eleva tensão regional
O diplomata descreveu um cenário de “muita apreensão” em Teerã. Os alvos dos ataques diários, disse, são instalações ligadas ao Exército iraniano e à Guarda Revolucionária. Para Guimarães, é “muito difícil” que a atual ofensiva consiga destituir o regime do país, estabelecido há mais de quatro décadas.
O assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, desencadeou a formação de um órgão colegiado que assumirá a condução política do país. Analistas internacionais, como destacou a agência Reuters, veem poucas chances de colapso imediato da estrutura de poder iraniana.
Em meio à tensão, o governo brasileiro mantém canais abertos para eventuais pedidos de ajuda e recomenda que seus cidadãos acompanhem apenas fontes oficiais de informação.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Agência Brasil
