El Mencho: detalhes da operação que matou o líder do CJNG marcou um dos episódios mais intensos da luta mexicana contra o narcotráfico. A ação das Forças Armadas, apoiada por informações dos Estados Unidos, resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o El Mencho, no último domingo (22 de fevereiro), em uma zona rural de Jalisco.
Inteligência binacional levou os militares ao esconderijo
O ponto de partida da ofensiva foi a localização de um confidente de uma das parceiras amorosas do narcotraficante. A partir desse rastreamento, analistas do Exército mexicano e da inteligência norte-americana cruzaram dados e fixaram o paradeiro do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) em Tapalpa, interior de Jalisco.
Segundo o general Ricardo Trevilla, secretário de Defesa Nacional, a informação original surgiu de agentes mexicanos, mas fotos de satélite e escutas fornecidas por Washington refinaram o alvo. A operação reuniu tropas de elite do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional, além de seis helicópteros e aeronaves Texan.
Cercos, trocas de tiros e captura frustrada
Ao chegar à propriedade, os militares foram recebidos a tiros pelos guarda-costas de El Mencho, que tentavam assegurar sua fuga. O primeiro tiroteio permitiu que o chefe do cartel escapasse para uma área de mata, abandonando um arsenal que incluía sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes.
O cerco foi refeito em poucos minutos. Localizado em um trecho de vegetação rasteira, o fugitivo voltou a ordenar disparos contra as tropas. Durante o confronto, um helicóptero oficial precisou realizar pouso de emergência após ser atingido. A reação das forças especiais deixou El Mencho gravemente ferido, assim como dois seguranças. Todos foram embarcados para um hospital militar, mas o narcotraficante morreu a caminho da unidade.
Saldo da ofensiva e impacto em Jalisco
O Gabinete de Segurança da Presidência contabilizou 15 suspeitos mortos ligados ao CJNG, além de três militares feridos. Em retaliação, células do cartel espalharam 252 bloqueios em 20 estados, incendiaram ônibus e atacaram prédios públicos, episódio que causou a morte de 27 agentes e 30 integrantes do crime organizado.
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A presidente Cláudia Sheinbaum afirmou, em coletiva, que o país amanheceu sem novos distúrbios, mas reforçou o alerta. Especialistas, como a advogada Gabriela de Luca, preveem instabilidade de curto prazo, possível fragmentação interna do CJNG e tentativa de expansão de rivais, principalmente o Cartel de Sinaloa.
Reação internacional e recompensa encerrada
A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, elogiou a cooperação na captura do homem que liderava a principal rota de fentanil rumo aos EUA. Desde 2016, El Mencho figurava entre os mais procurados pelas autoridades norte-americanas, que ofereciam US$ 15 milhões por pistas. No México, a gratificação chegava a 30 milhões de pesos.
Para a agência Reuters, analistas de segurança lembram que, apesar da morte do chefe, o CJNG conserva logística robusta e armamento pesado, sustentados por anos de tráfico de cocaína, metanfetamina e fentanil.
Possíveis próximos passos
No médio prazo, estudiosos veem risco de disputas internas pela sucessão e aumento da violência em áreas estratégicas. A expansão de facções concorrentes pode redefinir o mapa do tráfico no país e impactar o fluxo de drogas para os Estados Unidos e a América Central.
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Crédito da imagem: REUTERS
Fonte: Agência Brasil
