ONU precisa de mais representatividade, afirma Lula em visita à Índia — Em declaração à imprensa na madrugada de 21 de fevereiro de 2026, em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que a Organização das Nações Unidas carece de uma estrutura mais inclusiva e defendeu a ampliação do Conselho de Segurança para garantir legitimidade às decisões globais.
ONU precisa de mais representatividade, afirma Lula em visita à Índia
Ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, Lula recordou que Brasil e Índia tentam, há mais de duas décadas, ocupar assentos permanentes no Conselho de Segurança, órgão responsável pela manutenção da paz internacional. Segundo o presidente, “a ONU precisa ter força para interferir nos conflitos que existem pelo mundo; enquanto permanecer inoperante, não vai resolvê-los”.
Defesa de reforma no Conselho de Segurança
Lula argumentou que a ampliação das categorias de membros permanentes e não permanentes é “condição essencial para conferir legitimidade e eficácia à governança global”. O posicionamento brasileiro ecoa demandas de outras potências emergentes, que veem na reforma uma forma de equilibrar representatividade regional e responder a desafios contemporâneos. Informações da própria ONU indicam que a estrutura do Conselho permanece praticamente inalterada desde 1945.
Compromisso com a paz e combate à fome
No encontro, Lula reiterou o compromisso do Brasil com a paz mundial e com a manutenção da América do Sul como zona livre de conflitos. Ele destacou que “as únicas guerras que a humanidade deve travar são contra a fome, a pobreza e pela preservação do meio ambiente”. Modi concordou, ressaltando que “diálogo e diplomacia” devem nortear a resolução de tensões e que o terrorismo “é inimigo de toda a humanidade”.
Acordos estratégicos entre Brasil e Índia
Além do debate sobre a governança global, os líderes assinaram um memorando de entendimentos que abrange pesquisa, saúde, empreendedorismo e minerais críticos. Para Modi, o pacto referente a terras raras é “um grande passo em direção à construção de cadeias de suprimento resilientes”.
Lula salientou a evolução indiana em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial e biotecnologia, e avaliou que essas áreas abrem novas oportunidades de cooperação. Na saúde, os memorandos preveem produção local de vacinas contra tuberculose, medicamentos oncológicos e soluções para doenças negligenciadas, além de projetos de hospitais inteligentes.
Meta de comércio bilateral até 2030
Os dois países, cujo intercâmbio comercial superou US$ 15 bilhões em 2025, estabeleceram a meta de alcançar US$ 20 bilhões em cinco anos. Lula sugeriu elevar o objetivo para US$ 30 bilhões até 2030, proposta recebida com bom humor por Modi. O Brasil já é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina.
Com o apelo por uma ONU mais representativa e a assinatura de acordos que reforçam a parceria estratégica, Lula e Modi sinalizam alinhamento em temas de governança global, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável.
Quer acompanhar mais pautas sobre política internacional e economia? Visite nossa editoria Internacional e continue bem-informado.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
