Zuckerberg nega vício de jovens em redes sociais em julgamento nos EUA O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, declarou em tribunal que Facebook e Instagram não são projetados para viciar menores, embora documentos internos indiquem o contrário.
Zuckerberg nega vício de jovens em redes sociais em julgamento nos EUA
Confronto sobre idade mínima
Em sessão realizada na quarta-feira (18 de fevereiro), o advogado Mark Lanier apresentou ao júri e-mails e apresentações internas que descrevem pré-adolescentes como “público essencial” para o crescimento da Meta. Zuckerberg reiterou que usuários abaixo de 13 anos não são permitidos nas plataformas, mas admitiu ter discutido a criação de versões infantis dos aplicativos, projeto que nunca saiu do papel.
Processo testa responsabilidade de Big Techs
A ação foi aberta por uma moradora da Califórnia que começou a usar Instagram e YouTube ainda criança. Ela alega que o uso intensivo alimentou depressão e pensamentos suicidas, acusando as empresas de priorizarem lucro à segurança dos usuários. Enquanto agências internacionais especializadas em tecnologia acompanham o caso, Google e Meta negam qualquer dolo e destacam ferramentas recentes de bem-estar digital.
Metas internas e tempo de tela
Questionado sobre metas para aumentar o tempo de permanência nos aplicativos, Zuckerberg disse que objetivos antigos foram substituídos por métricas de “experiência positiva”. Lanier exibiu mensagens de 2014 e 2015 em que o executivo exigia crescimento de dois dígitos no indicador. Outro documento listava projeção de elevação do uso diário do Instagram de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026; Zuckerberg classificou os números como “constatações de desempenho”, não metas formais.
Impacto financeiro limitado, diz CEO
O fundador do Facebook afirmou que adolescentes representam menos de 1 % da receita da Meta. Ele também sustentou que a verificação de idade deveria ser responsabilidade dos fabricantes de dispositivos, pois aplicativos não conseguem confirmar identidades com precisão.
Reação global e possíveis precedentes
O julgamento em Los Angeles é o primeiro com Zuckerberg no banco das testemunhas sobre saúde mental de jovens. O resultado pode influenciar milhares de ações semelhantes contra Meta, Google, Snap e TikTok nos Estados Unidos. Paralelamente, países como Austrália e estados norte-americanos, a exemplo da Flórida, aprovam restrições de acesso para menores de 16 e 14 anos, respectivamente.
Especialistas veem a disputa judicial como teste crucial para a legislação que, há décadas, blinda plataformas de responsabilidade pelo conteúdo de terceiros. Se o veredicto for desfavorável às gigantes de tecnologia, analistas preveem aumento de custos regulatórios e mudança na arquitetura dos produtos.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
