Governança global da inteligência artificial foi o tema central do discurso em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última quinta-feira (19 de fevereiro), pediu que a Organização das Nações Unidas lidere um mecanismo multilateral, inclusivo e voltado ao desenvolvimento para regular a tecnologia.
Proposta apresentada em Nova Délhi
Diante de líderes reunidos na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, Lula apontou que iniciativas como a Parceria Global em Inteligência Artificial, conduzida pelo G7, e a recém-anunciada proposta chinesa de um organismo internacional voltado a países em desenvolvimento, são passos importantes. No entanto, segundo ele, nenhuma dessas plataformas possui a universalidade da ONU necessária para assegurar participação ampla e equilibrada.
Riscos e oportunidades destacados
Lula lembrou que a chamada Quarta Revolução Industrial eleva a produtividade em setores como indústria, medicina e agricultura, mas traz preocupações éticas. O presidente citou ameaças como desinformação, discursos de ódio, pornografia infantil e feminicídio. “Conteúdos falsos gerados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e colocam a democracia em risco”, advertiu.
Para o chefe do Executivo, os algoritmos não podem ser vistos apenas como códigos matemáticos que sustentam serviços digitais; eles influenciam diretamente a coesão social e a soberania dos países. Por isso, o Brasil apoia um sistema de governança que reconheça as diferentes realidades nacionais e fortaleça valores democráticos.
Processo de Bletchley contextualiza o debate
A cúpula realizada na capital indiana integra o chamado Processo de Bletchley, série de encontros iniciada no Reino Unido, em novembro de 2023, com foco em segurança e regulamentação da IA. O evento em Nova Délhi foi o quarto da sequência e reforçou a necessidade de coordenação internacional para lidar com a rápida expansão das aplicações de aprendizado de máquina.
Ao final de sua fala, Lula insistiu que a regulação global só será eficaz se garantir transparência, inclusão e respeito às diferentes trajetórias de desenvolvimento. Ele concluiu que o momento exige ação coletiva para que a inteligência artificial sirva ao bem-estar humano, e não ao aumento de desigualdades.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Ricardo Stuckert/PR
