Afastamento de Toffoli do caso Master é pedido à PGR
Afastamento de Toffoli do inquérito sobre o Banco Master foi solicitado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) em representação encaminhada à Procuradoria-Geral da República, em Brasília. O parlamentar pede que o órgão leve ao Supremo Tribunal Federal (STF) um requerimento de suspeição contra o ministro Dias Toffoli e, paralelamente, abra investigação para apurar negócios da empresa Maridt Participações S.A., controlada por familiares do magistrado, com fundos associados ao banco investigado.
Afastamento de Toffoli do caso Master é pedido à PGR
No documento entregue à PGR, Vieira — que relata a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre crime organizado — argumenta existir “vínculo comercial em que o julgador figuraria, em tese, como beneficiário de recursos pagos pelo investigado”, situação que, segundo ele, comprometeria a imparcialidade exigida dos membros da Corte.
Para o senador, além de ser isenta, a Justiça “precisa parecer isenta diante da sociedade”. Ele sustenta que a continuidade de Toffoli na relatoria, diante dos apontamentos da Polícia Federal (PF), prejudicaria a credibilidade do processo e violaria o princípio do devido processo legal.
Se a procuradoria, comandada por Paulo Gonet, concordar com a tese e ingressar com o pedido de suspeição, caberá ao plenário do STF deliberar, por maioria, sobre o afastamento. Não há prazo para manifestação da PGR, que também analisa outros questionamentos semelhantes protocolados anteriormente.
Relatório da PF fortalece questionamentos
Três dias antes do requerimento, a PF comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, ter localizado o nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O aparelho fora apreendido em operação de busca e apreensão, e o conteúdo permanece em sigilo.
Fachin convocou reunião extraordinária com ministros do Supremo para apresentar o relatório policial e a defesa preliminar encaminhada por Toffoli. A discussão, iniciada às 16h do dia 12, ocorreu na sala da presidência da Corte.
Negócios no resort Tayayá sob escrutínio
No mês anterior, veículos de imprensa revelaram que um fundo de investimento vinculado ao Banco Master adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que pertenceu a familiares de Toffoli. Após a divulgação, o ministro confirmou ser sócio do estabelecimento, porém afirmou não ter recebido valores de Vorcaro.
A eventual relação comercial entre Maridt Participações — empresa da família do magistrado — e fundos ligados ao banco é um dos pontos que o senador quer ver investigados. Para especialistas ouvidos pelo STF, a comprovação desse elo poderia reforçar o pleito de suspeição.
Próximos passos
Embora não exista prazo legal para decisão, o andamento do caso passa a depender de manifestação formal da PGR. Se o pedido for protocolado, o julgamento em plenário definirá se Toffoli continuará ou não à frente do inquérito que apura supostas fraudes bilionárias no Banco Master.
O requerimento de Alessandro Vieira amplia a pressão sobre o STF e coloca em evidência a necessidade de transparência em processos envolvendo altas autoridades. A sociedade, segundo o senador, “precisa confiar que ninguém julga próprio interesse”.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
