Prêmio Carolina Bori reconheceu, em cerimônia realizada em São Paulo, a trajetória da pesquisadora Luísa Lina Villa, referência internacional nos estudos sobre o Papilomavírus Humano (HPV) e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Prêmio Carolina Bori destaca Luísa Lina Villa por pesquisas sobre HPV
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entregou a sétima edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher a três cientistas de destaque em Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. Na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a honraria foi concedida a Luísa Lina Villa, que também colabora com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).
A pesquisadora atribuiu o reconhecimento ao trabalho coletivo desenvolvido ao longo de quase quatro décadas: “Recebo o prêmio com gratidão e divido a conquista com todos os alunos e colaboradores que trilham comigo o caminho da ciência”, afirmou em entrevista.
Villa iniciou seus estudos sobre HPV no início dos anos 1980, após concluir doutorado em microbiologia. Desde então, tornou-se referência mundial ao demonstrar como as infecções persistentes pelo vírus elevam o risco de tumores malignos, sobretudo no colo do útero. Seus projetos também analisaram a prevalência do vírus em homens, revelando índices de infecção superiores aos observados em mulheres.
Entre as contribuições de maior impacto, a cientista participou de pesquisas que comprovaram a segurança, a imunogenicidade e a eficácia das vacinas profiláticas contra o HPV. Esse conjunto de evidências sustentou programas de imunização em diversos países e, no Brasil, embasou a oferta gratuita da vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos imunossuprimidos até 45 anos.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde indicam que a expansão da cobertura vacinal já provoca queda significativa nas infecções e nas lesões precursoras de câncer relacionadas ao HPV em várias regiões do planeta, tendência que começa a ser observada também em território brasileiro.
Além de Villa, a SBPC homenageou Ana Mae Tavares Bastos Barbosa (Humanidades) e Iris Concepcion Linares de Torriani (Exatas e Ciências da Terra). Menções honrosas foram atribuídas a Maria Arminda do Nascimento Arruda, Marilia Oliveira Fonseca Goulart e Nísia Verônica Trindade Lima.
Instituído em 2019, o prêmio leva o nome de Carolina Bori (1924-2004), primeira mulher a presidir a SBPC e defensora da participação feminina na ciência. A premiação ocorre anualmente em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, criado pela Organização das Nações Unidas para reforçar a igualdade de gênero no meio científico.
O reconhecimento ressaltou, ainda, a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso à vacina contra HPV e incentivem práticas sexuais mais seguras, tópicos que permanecem entre as prioridades de pesquisa do grupo liderado por Villa na USP.
Para saber mais sobre iniciativas de prevenção e avanços na área da saúde, acesse a editoria de Saúde e continue acompanhando nossas atualizações.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
