Lula apoia Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU Em publicação nas redes sociais em 2 de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou o endosso do Brasil à candidatura da ex-presidente do Chile, destacando a necessidade de uma mulher à frente das Nações Unidas após oito décadas de história.
Lula apoia Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU
Segundo Lula, a trajetória de Michelle Bachelet comprova capacidade de liderança e comprometimento com o multilateralismo. Ele recordou que a chilena foi a primeira mulher a comandar o país andino em dois mandatos consecutivos e também a primeira a ocupar os ministérios da Defesa e da Saúde no Chile.
No âmbito internacional, o presidente brasileiro sublinhou o papel decisivo de Bachelet na criação e consolidação da ONU Mulheres, estrutura da qual foi a primeira diretora-executiva. Posteriormente, como alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-presidente atuou pela proteção de grupos vulneráveis, pelo reconhecimento do direito a um meio ambiente limpo e pela ampliação de vozes historicamente silenciadas.
“Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU em um contexto de conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, afirmou Lula na nota divulgada.
Apoio regional articulado
O Ministério das Relações Exteriores informou que a candidatura foi apresentada formalmente pelos governos de Chile, Brasil e México. A chancelaria ressaltou a “vontade compartilhada” de fortalecer o sistema multilateral com uma liderança capaz de responder aos desafios atuais.
De acordo com a nota, a “ampla experiência” de Bachelet em processos políticos complexos, sua habilidade de facilitar o diálogo e o compromisso com os valores da ONU podem contribuir para tornar a organização “mais eficaz, representativa e orientada para o bem-estar das pessoas”.
Atualmente, o cargo de secretário-geral é ocupado pelo português António Guterres, reeleito para o período 2022-2026. O próximo mandato começa em 1º de janeiro de 2027, data para a qual Bachelet se coloca como favorita da tríplice aliança latino-americana.
Brasil defende multilateralismo
O Itamaraty reiterou que o cenário internacional “de grande complexidade” reforça a importância das Nações Unidas como espaço de diálogo para a paz, a segurança, o desenvolvimento sustentável e a promoção dos direitos humanos. “Reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo como pilar de uma governança global baseada na cooperação e no respeito à autodeterminação dos povos”, conclui o comunicado.
A candidatura de Michelle Bachelet ainda deverá ser avaliada pelos Estados-membros da ONU, processo que envolve consultas regionais e votação na Assembleia Geral, após recomendação do Conselho de Segurança.
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Crédito da imagem: REUTERS/Denis Balibouse
Fonte: REUTERS/Denis Balibouse
