Tensão entre Irã e EUA se agrava e pressiona preço do petróleo marca a mais recente escalada no Oriente Médio, após Washington deslocar o porta-aviões Abraham Lincoln para a região e ameaçar ataques “muito piores” que os de junho de 2025 caso Teerã não abandone o programa nuclear.
Tensão entre Irã e EUA se agrava e pressiona preço do petróleo
Em mensagens publicadas nas redes sociais na última quarta-feira (28 de janeiro de 2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “o tempo está se esgotando” para um acordo. No mesmo dia, a mídia estatal iraniana citou o chanceler Abbas Araqchi, que negou ter solicitado negociações ou mantido contato com o enviado especial norte-americano, Steve Witkof.
No ano anterior, forças dos EUA e de Israel bombardearam instalações militares e nucleares em solo iraniano. Teerã respondeu lançando mísseis contra alvos israelenses, ampliando o clima de insegurança na região.
Na quinta-feira (29), autoridades iranianas emitiram alerta à navegação no Estreito de Ormuz e anunciaram exercícios militares na via por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Especialistas temem que qualquer bloqueio eleve ainda mais as cotações do barril. Economistas ouvidos pela agência Reuters estimam que a simples possibilidade de ataque ao Irã já adicionou até quatro dólares ao preço do petróleo.
Detentor da terceira maior reserva global e quinto maior produtor, o país persa divide o Golfo Pérsico com outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Analistas lembram que qualquer interrupção no fluxo de petróleo afetaria as economias desses vizinhos e, por consequência, o mercado internacional.
A pressão externa ocorre simultaneamente ao aumento de protestos internos contra o regime teocrático que governa o Irã desde 1979. Desde o início de 2026, confrontos entre manifestantes e forças de segurança causaram mais de 6 mil mortes, segundo associações de direitos humanos, além de cerca de 40 mil detenções. O governo, por sua vez, reconhece 3 mil mortos e atribui parte deles a “terroristas”.
Fontes da Reuters apontam que Trump avalia ataques cirúrgicos contra forças iranianas para incentivar a derrubada do governo. Teerã, porém, ameaça retaliar atingindo bases norte-americanas em países vizinhos como Catar e Barein.
As ações repressivas também mobilizaram a União Europeia, que aprovou novas sanções e passou a classificar a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista. “Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista”, declarou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas.
A intensificação do conflito, combinada ao risco de interrupção no Estreito de Ormuz, mantém a volatilidade nos mercados de energia e reforça a preocupação de investidores e governos ao redor do mundo.
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Crédito da imagem: Reuters/Fatemeh Bahrami
Fonte: Agência Brasil
