Neutralidade do Canal do Panamá volta a ser defendida por Lula durante visita recente ao país centro-americano, em meio a pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou interferir na via interoceânica.
Neutralidade do Canal do Panamá volta a ser defendida por Lula
Em viagem oficial ao Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que a neutralidade do Canal do Panamá é “condição indispensável para um comércio internacional justo, equilibrado e regido por regras multilaterais”. O posicionamento foi reiterado na abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, quando Lula declarou apoio “integral” à soberania panamenha sobre a rota de navegação.
Segundo o mandatário brasileiro, uma proposta de adesão formal do Brasil ao Protocolo de Neutralidade já foi encaminhada ao Congresso Nacional. “Há quase três décadas, o Panamá administra essa via fundamental para a economia mundial de forma eficiente, segura e não discriminatória”, afirmou, logo após receber a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração do país anfitrião.
O debate sobre a neutralidade reacendeu após investidas de Donald Trump, que sugeriu a tomada do canal. A reafirmação brasileira busca, segundo Lula, “reforçar a segurança jurídica e a previsibilidade para todos os países que dependem do corredor marítimo”. De acordo com a Encyclopaedia Britannica, a hidrovia é responsável por aproximadamente 5% do comércio marítimo global.
Acordos bilaterais Brasil-Panamá
Na mesma agenda, foram assinados acordos que visam dinamizar as relações econômicas entre Brasília e Cidade do Panamá. Um instrumento de facilitação de investimentos pretende ampliar o fluxo de capitais, enquanto um pacto na área de turismo e gestão portuária busca integrar cadeias logísticas regionais.
Os governos também avançaram na atualização do acordo de serviços aéreos, oferecendo maior segurança jurídica ao transporte de cargas. Nas negociações comerciais, o Brasil reiterou apoio à adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul e à celebração de um acordo de preferências tarifárias.
Com intercâmbio de US$ 1,6 bilhão em 2025, o Panamá é hoje o principal parceiro comercial brasileiro na América Central. Entre os temas discutidos, destacou-se a conclusão de procedimentos sanitários para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil.
Integração regional e desafios comuns
No fórum econômico, Lula sublinhou que América Latina e Caribe precisam enfrentar desafios “conjuntamente” para ampliar sua relevância nas cadeias globais de valor. O presidente destacou potencial energético, biodiversidade e recursos minerais como ativos estratégicos para a transição energética e digital.
Ele também apontou o combate ao crime organizado transnacional como prioridade que exige cooperação internacional. “Precisamos superar diferenças ideológicas em prol de ganhos coletivos”, disse, defendendo o fortalecimento de fóruns latino-americanos.
Encontro com a Bolívia
Em reunião bilateral paralela, Lula conversou com o presidente boliviano Rodrigo Paz. Os líderes discutiram rotas para garantir acesso da Bolívia a portos e escoamento de produção, além de retomar diálogos energéticos e iniciativas de combate ao crime organizado na Amazônia. Paz foi convidado para visita de Estado ao Brasil no primeiro semestre de 2026.
Com a reafirmação da neutralidade do Canal do Panamá e a assinatura de novos pactos, Brasília reforça sua estratégia de integração regional e de defesa do multilateralismo. Confira outras análises sobre política internacional na editoria Internacional e continue acompanhando nossos conteúdos.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
